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Correio da Manhã

Portugal
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IDOSA MORTA À PAULADA

Uma mulher de 76 anos, Teodora Antónia Mendes, foi assassinada à paulada pelo marido, Teodoro Carrapiço, de 79 anos, na madrugada de ontem no Barreiro. Ciúmes injustificados estiveram na origem do crime e o seu autor, segundo o Correio da Manhã apurou, está sob acompanhamento psiquiátrico.
2 de Abril de 2003 às 00:26
“Eram cerca das quatro menos um quarto da manhã quando comecei a ouvir barulhos no andar de cima e, pelas 04h00 chamei a Polícia”, contou uma vizinha do casal, que pediu o anonimato.
Este crime chocou a comunidade da zona da Rua 20 de Abril, onde o casal morava.
“Nunca aqui se constou de uma coisa assim”, comentou Maria Teodora, outra habitante no bairro.
À chegada ao local do crime, os agentes da autoridade pouco puderam fazer: a septuagenária encontrava-se já em coma profundo, com város ferimentos na cara, depois de ter sido agredida à paulada.
A idosa, apesar de padecer de diabetes, há longo tempo que sofria de maus tratos às mãos do marido, que a vizinhança aponta como tendo dupla personalidade.
“Connosco e com os filhos falava muito bem, mas com a mulher, foi o que se viu”, comentou um dos vizinhos. Com frequência, Teodora era espancada pelo cônjuge e, nos últimos tempos, pelo menos por cinco vezes, os agentes da PSP já tinham sido chamados àquela morada para serenar os ânimos.
Mas, segundo vários relatos que nos foram feitos, Teodora queixava-se que desde os primeiros tempos do casamento, o marido a maltratava, amiude sob ciúmes obssessivos e injustificados.
“O homem era diabólico e dizia que matava a mulher. Ela vinha todos os dias à minha porta e dizia-me: ‘Vizinha eu tenho medo’”, contou ao nosso jornal a referida vizinha.
O nosso jornal apurou que a idosa chegara, uma das vezes, a apresentar queixa na esquadra da PSP do Barreiro, contra o marido, por maus tratos.
Por outro lado, segundo declararam vários vizinhos, o homem por diversas vezes dissera em público, nomeadamente no café que costumava frequentar, que um dia mataria a mulher.
“Agora não teve meias medidas, arrombou a porta do quarto dela e matou-a. Já os polícias estavam a bater à porta de casa e ele ainda estava a bater nela”, recorda a vizinha, que considera ter havido negligência, nomeadamente por parte das autoridades. “A Polícia já lá tinha queixas e ele é um homem muito mau e nada foi feito que se evitasse este fim”, acrescentou a citada vizinha, revoltada com este caso.
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