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Correio da Manhã

Portugal
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Idosos alvo de burlas

Cerca de 25 mil euros foi quanto conseguiram arrecadar no último mês duas duplas de burlões que têm conseguido enganar idosos na região Oeste com o conto-do-vigário.
5 de Outubro de 2008 às 00:30
António Rebelo, de 82 anos, foi uma das últimas vítimas
António Rebelo, de 82 anos, foi uma das últimas vítimas FOTO: Carlos Barroso

Convencem as vítimas a entregar-lhes o dinheiro ou a mostrar onde o têm guardado para num momento de distracção o roubarem.

A técnica utilizada é quase sempre a mesma. Os burlões fazem-se passar por funcionários da Segurança Social, aparecem "bem vestidos e bem falantes" e dizem que há notas de 20 e de 50 euros que "vão sair de circulação, oferecendo-se pa-ra verificar se as notas que os idosos têm em sua posse estão a caducar através de letras que alegadamente estarão inscritas nas notas", descreve o comandante do destacamento da GNR das Caldas da Rainha, Ribeiro Santos.

"Os idosos, na sua inocência e por terem muitas quantias de dinheiro guardadas em casa, são os alvos preferenciais", indica.

Quando as vítimas vão buscar o dinheiro, os burlões vão atrás deles e uma vez em contacto visual com as notas "apoderam-se delas e colocam-se em fuga".

O número de casos denunciados no mês de Setembro teve um aumento assustador, lamenta o oficial da GNR.

ENGANADO POR DOIS HOMENS

"Não tenha medo que nós somos sérios" são as palavras que António Rebelo, de 82 anos, se recorda de ter ouvido de um dos burlões, que lhe levaram 1190 euros (7 notas de 50 e 42 notas de 20 euros) ao princípio da tarde de 1 de Outubro em Junqueira, Alcobaça.

"Estava a trabalhar [na agricultura]. Eram dois, um nunca saiu do carro. Começaram a perguntar por pessoas e ruas, meteram conversa e começaram a mostrar notas de 20 e 50, a dizer que eram da Segurança Social e que ia acabar o prazo das notas no dia seguinte", relatou o agricultor reformado. De seguida "perguntaram-me se tinha notas em casa, porque se tivesse levavam um apontamento para depois as substituir. Fui para casa e veio um atrás de mim. Abri a gaveta da mesa de cabeceira e ele levou o dinheiro", revelou. "Tenho pena de não lhes ter dado um tiro", desabafa António Rebelo.

 

 

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