O abandono de idosos, nalguns casos encontrados mortos em casa, é uma das preocupações centrais dos bispos nas suas mensagens de Quaresma. A crise económica, o desemprego e o crescente aumento da pobreza também assumem relevo.
O arcebispo de Évora, D. José Alves, alerta para a necessidade de “prestar atenção às pessoas que vivem à nossa volta, independentemente dos laços familiares”, sobretudo devido às “situações difíceis que se vivem no país, onde dia a dia crescem as dificuldades”. Entre elas, os idosos “que vivem sozinhos e chegam a morrer sem que alguém se tenha dado conta, durante semanas, meses e até anos”, adianta D. José Alves.
Após constatar que “temos sido confrontados pelas notícias frequentes de idosos sós, condenados a morrer ao abandono”, D. António Francisco, bispo de Aveiro, afirma que “as comunidades cristãs têm um campo imenso de presença e acção” perante quem os rodeia. “Importa saber olhar os idosos como um dom de vida e uma bênção e como uma escola de sabedoria, onde o futuro já começou e diariamente se aprende”.
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima entende que a Quaresma “são 40 dias para nos despertar do estado de ‘anestesia espiritual’ em que por vezes caímos” e “estar atentos uns aos outros, a não ser alheio e indiferente ao destino dos irmãos”.
O bispo de Setúbal, D. Gilberto Reis, centra as suas preocupações em três tipos de pessoas. As primeiras são “aquelas que vivem sozinhas, às vezes na porta ao lado – no ano passado, no País, foram encontradas mortas em sua casa muitas centenas de pessoas!”. Os outros dois grupos são os das pessoas que “vivem sem esperança”, das quais algumas se suicidam, às vezes muito novas, e os pobres ou desempregados.
A crise económica é outro dos aspectos abordados pelos bispos, cujas dioceses decidiram este ano destinar a renúncia quaresmal (ofertas) ao combate à pobreza e à ajuda aos mais necessitados, como os desempregados. D. Manuel Felício, bispo da Guarda, diz que são cada vez mais os que pedem ajuda, “já há falta de meios para atender às necessidades e a evolução dos acontecimentos faz-nos prever que as dificuldades vão aumentar”.
Sobre a crise económica, D. Bernardo Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco, é o mais contundente ao referir-se a dívidas geradas por “administrações desastrosas” e àquelas que influenciam “mercados, bancos, bolsas e agiotas”. “Há dívidas que não se podem negociar, nem se conseguem pagar por mais que as tentemos amortizar”, conclui o bispo.
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