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Correio da Manhã

Portugal
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IDOSOS RELATAM VIOLÊNCIA VIVIDA EM MONTES ISOLADOS

Relatos de violência extrema contados pelas próprias vítimas marcaram a primeira sessão do julgamento de nove arguidos de etnia cigana acusados dos crimes de roubo, sequestro, posse de armas sem licença e burla, praticados entre 1999 e 2001 em montes isolados de povoações dos distritos de Faro, Portalegre, Beja e Évora.
23 de Setembro de 2002 às 23:09
Sete idosos residentes neste último distrito referiram ontem no Tribunal desta cidade, perante o juiz João Gomes de Sousa, o que se passou naqueles momentos de tristeza, em que foram agredidos violentamente e lesados na quase totalidade dos seus bens.

Feliz Dez Reis, um idoso residente num monte perto de S. Manços, contou que lhe foram "roubados diversos artigos, incluindo um relógio".

Outras vítimas não tiveram a mesma sorte. Moisés Henriques lembrou que o seu monte foi "arrombado, entraram dois homens” e foi espancado. Este idoso salientou ainda que ficou com nove costelas partidas, sem 600 contos e sem uma espingarda.

A primeira sessão ficou ainda marcada por um episódio que se adivinhava, face à idade avançada de algumas das testemunhas. Após o relato do assalto em que foi vítima, o juiz ordenou a Moisés Henriques que se levantasse da cadeira e identificasse os agressores. Este idoso fê-lo duas vezes em dificuldades e, por essa razão, não convenceu os advogados de defesa, que pediram ao juiz uma nova identificação. Este pedido foi, no entanto, rejeitado e justificado pela debilidade física da testemunha.

Face aos esclarecimentos e identificações duvidosas, os advogados de defesa esperam que a acusação "prove todos os crimes" de que são acusados os arguidos. Após os relatos das vítimas, foram ainda ouvidos uma testemunha ocular, quatro militares da GNR e um vendedor de automóveis, que supostamente terá vendido um veículo da marca Renault 19 usado durante os assaltos.

O número elevado de arguidos levou a Polícia a montar um dispositivo de segurança. Cerca de 30 elementos da PSP e guardas prisionais mantiveram uma vigilância apertada ao redor do edifício do Tribunal de Évora. A próxima sessão será às 9h30 do dia 7 de Outubro.
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