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Correio da Manhã

Portugal
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IDOSOS SEM REFORMAS HÁ TRÊS MESES

Várias dezenas de reformados da freguesia da Foz do Arelho, Caldas da Rainha, estão há quatro meses sem receber as suas pensões, devido a erros informáticos na emissão dos vales de pagamento, um problema que está a deixar os idosos em situação difícil, por ser o único sustento que têm.
10 de Julho de 2002 às 23:25
Jorge Santos, familiar de uma das aposentadas que se queixa da falta de pagamento, apontou ao Correio da Manhã que "há casos de pessoas que estão sem receber desde Abril e algumas sentem dificuldades financeiras, porque quase só dependem das suas reformas", considerando os atrasos "inexplicáveis e revoltantes".

"Se considerarmos que as pessoas sofrem consequências ao atrasarem os seus pagamentos de impostos ou serviços do Estado, também não podemos aceitar que o Estado se atrase nos seus pagamentos, sem sofrer as devidas consequências", sustentou.

Alguns dos lesados têm contactado os serviços da Segurança Social, recebendo a informação de que os vales de pagamento seriam enviados para repor a situação, mas poucos têm sido os que nos últimos dias viram resolvido o problema.

Alda Gomes, de 82 anos, contou que o pagamento "nunca faltou entre os dias 4 e 6 de cada mês, e como é por ordem alfabética, eu recebia logo na primeira semana, quando as minhas colegas só no final do mês é que recebem". Reformada da profissão de telefonista, tem uma pensão mensal de cerca de 200 euros, mas desde Abril que não vê o dinheiro.

"Faz falta porque eu vivo disto, já fiz várias queixas e recebi a resposta de que em Agosto iria receber tudo junto, inclusive o mês de férias", relatou, insurgindo-se por ter de ficar "mais um mês a viver do ar". "Deviam compensar o atraso, mas certamente que não nos vão dar mais dinheiro", lamentou.

José Monteiro, de 87 anos, costumava receber 170 euros ao dia 15 de cada mês, mas há três meses que isso não acontece. "Como é que consigo viver sem esse dinheiro? Olhe, tenho de viver", desabafou.

"Vamos continuar a fazer pressão junto do Centro Nacional de Pensões e aguardar pelo fim de Julho. Se a situação se mantiver vamos contactar o Ministério das Finanças para saber o que se passa. E porque não falar com o Ministério Público? porque se houver negligência, tem de haver responsabilização", disse Jorge Santos.
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