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Correio da Manhã

Portugal
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Idosos vivem em casa ameaçada de ruína

O risco de ruína de um apartamento em pleno centro de Lisboa ameaça a vida de um casal de idosos. Estranho é o facto de o prédio administrado pela Câmara já ter sido parcialmente reabilitado. Falta apenas a casa dos septuagenários que há 31 anos reclamam das más condições.
6 de Setembro de 2005 às 00:00
Henrique e Maria de Lurdes Costa habitam uma casa onde chove e faz frio e onde o perigo é constante
Henrique e Maria de Lurdes Costa habitam uma casa onde chove e faz frio e onde o perigo é constante FOTO: Sérgio Lemos
“Vivemos num perigo constante e isso aflige-me”, lamenta Henrique Costa. “Não sei o que faça à minha vida. O prédio foi arranjado, excepto o andar que estava em piores condições”, diz o inquilino do número 4 da Travessa de São Caetano, em Campo de Ourique.
A autarquia de Lisboa tomou posse administrativa do edifício e restaurou a fachada exterior e o interior do prédio, rés-do-chão e segundo piso – apenas o primeiro andar, onde vive um casal de idosos, Henrique Costa, 74 anos, e Maria de Lurdes, 70, ficou por reabilitar.
O CM contactou na sexta-feira o gabinete do vereador das Obras Municipais, Pedro Pinto, que ontem remeteu o assunto para o pelouro da Reabilitação Urbana – que não respondeu até ao fecho desta edição.
Há 31 anos que o casal de idosos reclama obras no apartamento, por chover e fazer frio no quarto e parte do tecto ter desabado, pelos canos podres e o chão em ruínas.
“Estou num perigo constante”, lamenta Henrique. “O tecto está todo solto e até pode cair durante a noite e dar--nos cabo da vida”, mostra, enquanto aponta para as frechas abertas no quarto.
Henrique conta os vários episódios de noites sem dormir para poder aparar a chuva com tachos e bacias. “Os bombeiros já cá estiveram duas vezes, bateram no tecto e aconselharam-nos a não dormir no quarto.” E, diz, nas expectativas do empreiteiro – que até chegou a restaurar uma das salas e trocou todas as janelas da casa –, as obras não iriam demorar mais de cinco ou seis dias.
Como a saúde não permite dormir na casa em obras e precisavam de ser realojados, Henrique apresentou dois atestados médicos: sofre de apneia obstrutiva do sono grave e de doença respiratória crónica. Acontece que o pedido não foi aceite e agora o inquilino acusa a Câmara de não restaurar a casa só para não ter de acomodá-los numa pensão durante a execução das obras.
Sem poder ficar na própria casa ou sair dela, os idosos não têm outra solução se não esperar que a autarquia resolva o problema. No entanto, dizem que já foram informados que como nenhum vizinho foi realojado, eles também não serão. Assim prolongam a espera. “Só quero que nos acabem com este martírio – nunca esperei viver assim”, reclama Henrique.
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