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Correio da Manhã

Portugal

Ignorado pelos médicos

Um doente de Armamar espera há seis meses por uma intervenção cirúrgica a um nódulo num testículo. O Hospital de Viseu diz que faz a operação se receber informação da urgência do caso do médico de família. Este, por seu turno, afirma que há situações mais urgentes e o paciente já não sabe como ultrapassar a situação.
29 de Agosto de 2005 às 00:00
O doente de Armamar já não sabe o que mais há-de fazer para ver concretizada a operação cirúrgica
O doente de Armamar já não sabe o que mais há-de fazer para ver concretizada a operação cirúrgica FOTO: Iolanda Vilar
José Jesus Silva, de 58 anos, natural de S. Cosmado, tem visto agravar-se o seu estado de saúde e teme perder as forças para trabalhar, antes que o problema seja resolvido, “através de uma cirurgia simples.”
“Mal consigo trabalhar e desespero de noite para poder dormir ou até sentar-me à mesa para comer”, lamenta o doente, serralheiro de profissão, a quem o médico de família diagnosticou um pequeno nódulo no testículo esquerdo e elaborou uma primeira carta enviada ao Hospital de Viseu, dando conhecimento do caso, e que até agora não obteve qualquer resposta.
“Na última visita ao Centro de Saúde, o médico diagnosticou-me também uma infecção nos rins e outros problemas, que me impedem de exercer o meu trabalho”, conta José Jesus Silva, que despende por mês mais de 100 euros em medicação. “Como não tenho dinheiro para pagar uma cirurgia privada, sou obrigado a esperar meses e meses para acabar com este sofrimento”, diz, lamentando o facto de “descontar muitas dezenas de euros para a Segurança Social e quando é preciso não ser atendido de forma eficaz”.
O director clínico do Hospital de S. Teotónio, em Viseu, Cílio Correia, considera “infundadas” as críticas deste paciente e explica que o médico de família tem duas vias para resolver o problema do doente: “Não se pode descartar do problema e esperar simplesmente que o paciente seja chamado para cirurgia. Caso haja agravamento do estado de saúde, deverá renovar o pedido de consulta ou cirurgia, referindo o seu carácter de urgência, de modo a ser atendido no Serviço de Urgência deste hospital. Ou faz um contacto telefónico ou por carta com o Director de Urologia ou o médico de serviço, solicitando uma observação urgente”.
Mas, o médico de família considera que “estas não são as vias mais correctas para resolver a questão”, referindo que “caso solicitasse por essas vias uma observação ou cirurgia, estaria a ultrapassar pacientes com problemas oncológicos, que obviamente têm prioridade.”
FALTAM UROLOGISTAS
No contexto actual, as situações com carácter oncológico têm prioridade e o seu atendimento depende da avaliação de um conjunto de patologias e características do doente, explica o director clínico do Hospital de Viseu.
Segundo Cílio Correia, actualmente o Hospital de S. Teotónio presta cuidados de Urologia a meio milhão de pessoas e dispõe de quatro urologistas, um número considerado “insuficiente para dar resposta a todas as patologias”.
A partir de Setembro, garantiu, o Sistema Integrado de Gestão Nacional vai permitir alertar os doentes colocados em lista de espera cirúrgica, quando atinjam 75 por cento de um ano do prazo. “Nessa altura será avaliada a condição de saúde do paciente e a necessidade de transferi-lo para outro hospital”.
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