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Correio da Manhã

Portugal
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IGNORÂNCIA DOS CLÍNICOS PREJUDICA PACIENTES

Um doente de fibromialgia, que padece de fortes dores e de grande cansaço, não tem apenas de lidar com a doença. Tem também de enfrentar o desconhecimento dos médicos que nem sequer sabem que a patologia já se encontra reconhecida pelo Estado português, denuncia a presidente da Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia, Fernanda Neves.
11 de Maio de 2003 às 00:00
A fibromialgia não é uma doença fácil de identificar. Os seus sistomas – fadiga crónica, dores musculares, alterações de sono – não correspondem a alterações fisiológicas, detectadas pelos exames clínicos tradicionais.
Identificada mais como uma perturbação psicológica, os doentes são, muitas vezes, encaminhados para psiquiatras. Que, por sua vez, comprovam nada encontrarem de anormal do ponto de vista psicológico.
“De médico em médico, passam-se dezenas de anos”, afirma ao Correio da Manhã, Fernanda Neves.
Mas há formas de detectar a doença do ponto de vista clínico: um exame a 18 pontos classificados e um electroencefalograma durante o sono. Já foi diagnosticada, por exemplo, à deputada Maria Elisa Domingues.
FAMÍLIA NÃO COMPREENDE
Ao desconhecimento dos médicos, soma-se a incomprensão de familiares e amigos que acabam, também eles, por não levar a sério as queixas, criticando e afastando-se dos doentes que se entregam “à depressão e ás ideias suicidas”, explica Margarida Neves.
A doença, no entanto, é reconhecida pela Direcção-Geral de Saúde que a classifica como “crónica e incapacitante” e já foi incluída no futuro Plano Nacional contra as Doenças Reumáticas.
O que não são reconhecidos são os direitos destes doentes. O mesmo é dizer que os cerca de oito por cento dos que sofrem desta patologia (não há números nacionais, apenas estatísticas internacionais) não podem obter baixas, reformas antecipadas ou atestados de incapacidade. É o que deverão pedir em breve ao ministro da Saúde.
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