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Correio da Manhã

Portugal
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Igrejas sem concertos

O que vinha a ser falado desde há mais de dois anos passou a letra de lei: a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) proibiu todo o tipo de concertos musicais nos templos religiosos, com excepção de alguns, “muito poucos”, para os quais é necessária autorização expressa do bispo da diocese.
9 de Novembro de 2007 às 00:00
Música nas igrejas portuguesas só em ocasiões especiais, como é o caso da época natalícia
Música nas igrejas portuguesas só em ocasiões especiais, como é o caso da época natalícia FOTO: direitos reservados
Os bispos portugueses querem limitar ao mínimo os concertos nas igrejas, basílicas e catedrais, concentrando-os sobretudo nas festas maiores como o Natal e a Páscoa.
A ideia é, segundo os prelados, acabar com alguns excessos que se vão cometendo, um pouco por todo o País, lembrando que se têm verificado casos em que um “pretenso concerto de música clássica acaba em espectáculo de música ligeira, com a assistência a bater palmas, e algumas pessoas quase a dançar”.
Fonte da CEP disse ao CM que “não se pretende com esta decisão acabar com os concertos de música sacra da Semana Santa, em algumas catedrais, ou com as celebrações de Natal cantadas e orquestradas. Queremos é acabar com alguns abusos, dos quais muitas vezes o pároco, ou o titular da igreja, até só vinha a saber no dia seguinte”.
Assim, na Assembleia Plenária realizada em Roma, os bispos decidiram proibir os concertos musicais nas igrejas, referindo que para se poderem realizar têm de ter a devida autorização do bispo titular da respectiva diocese.
ALGUMAS QUEIXAS
No jantar que o embaixador de Portugal junto da Santa Sé ofereceu aos 37 prelados que se encontram de visita ao Vaticano, o presidente da CEP, D. Jorge Ortiga, realçou a “perplexidade e desconforto” que estão a causar os atrasos na regulamentação de vários pontos da Concordata.
Frisando que “por parte da Igreja em Portugal nunca existirá uma questão religiosa” e que esta instituição “contribuirá sempre para um Portugal de respeito e aceitação pelo diferente”, D. Jorge realçou que “não pode ignorar-se uma certa perplexidade que está a gerar desconforto em algumas áreas”.
“Esperamos que o ritmo da regulamentação se acelere e renovamos a vontade de dar o nosso contributo ao bem comum, sem renunciarmos à nossa identidade e diferença e sempre em respeito pela pluralidade confessional e religiosa”, disse.
Pedindo desculpa pela alusão à Concordata, o prelado disse que “ela significa a vontade da Igreja em continuar a preservar a matriz cristã de um povo habituado à mudança”.
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