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Correio da Manhã

Portugal
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IMIGRANTES DE LESTE DORMEM EM CORETO

Seis imigrantes de Leste estão a viver debaixo de um coreto em pleno centro da cidade de Braga. Não têm dinheiro, nem onde viver. Mostram-se muito fracos por causa da fome e queixam-se de terem sido explorados e votados ao desemprego e abandono. Dormem no cimento e sem resguardo, envoltos num cheiro nauseabundo.
2 de Outubro de 2003 às 00:00
Imigrantes de Leste vivem em condições degradantes em Braga
Imigrantes de Leste vivem em condições degradantes em Braga FOTO: Mário Fernandes
A água do rio Este - visivelmente de má qualidade - serve para se lavarem. "É fria, mas não está má", comentou, em difícil português, o mais jovem do grupo, um ucraniano que, como os seus amigos, só pede trabalho ou ajuda para regressar a casa.
"Não conheces nenhum amigo na Polícia ou no SEF que me ajude a ir embora?", questionou por diversas vezes o jovem ucraniano, lamentando não ter dinheiro para a viagem, nem possibilidade de trabalhar, apesar de se disponibilizar para fazer de tudo, tal como os companheiros.
"Trolha, pintor, varredor, o que quiserem, nós sabemos fazer de tudo", garantiu Voldner, que - juntamente com um amigo que se manteve sempre cabisbaixo e envolto em si próprio, como que a tentar resguardar-se do frio húmido desta época - foi vítima da exploração de um empreiteiro de Palmeira, que não pagou os últimos 5 meses de trabalho.
Com dois filhos e mulher na Ucrânia, Voldner diz que veio para Portugal há três anos a fim de fugir à miséria do seu país e ajudar a família. "Agora, aqui, há muitos imigrantes, vindos de muitos países, e menos obras e trabalho", observou um colega tchetcheno, logo acrescentando que a situação "lá é muito pior".
Três indivíduos do grupo estão no coreto do Parque da Ponte há quase dois meses. Os outros estão ali há menos tempo. Já passaram pelo centro de acolhimento da Cruz Vermelha, mas tiveram de sair. Esmolas e o Padre Joaquim Costa, da Casa de Leste, têm valido para assegurar alguma alimentação e poucos cobertores.
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