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Correio da Manhã

Portugal
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Incendiário remete-se ao silêncio

Arguido de 24 anos é suspeito de atear dois fogos florestais em Castelo de Paiva.
2 de Março de 2015 às 17:03
Homem está a ser julgado pela autoria de dois fogos florestais em Castelo de Paiva
Homem está a ser julgado pela autoria de dois fogos florestais em Castelo de Paiva FOTO: Alexandre Panda 

Um homem suspeito de ter ateado dois fogos florestais no mesmo dia, em Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, manteve-se esta segunda-feira em silêncio, no início do julgamento, no Tribunal de Santa Maria da Feira.

O arguido, de 24 anos, está acusado pelo Ministério Público (MP) de um crime de incêndio florestal. Segundo a acusação deduzida pelo MP, os incêndios ocorreram na madrugada de 13 de julho de 2014, após o suspeito ter estado numa festa popular, onde consumiu bebidas alcoólicas.

Ateou fogos com isqueiro

O primeiro fogo deflagrou por volta das 04h20, no lugar de Carvalho Mau, junto à Estrada Nacional (EN) n.º 222. De acordo com os investigadores, o suspeito ateou fogo a uma zona de floresta de eucaliptos e pinheiros, com recurso a um isqueiro, e só abandonou o local após se ter certificado que a vegetação se encontrava a arder.

Cerca de uma hora mais tarde, e a poucos quilómetros do primeiro local, o arguido terá ateado outro incêndio, numa zona densamente arborizada e situada a escassos metros de residências familiares aí existentes. Os incêndios só não atingiram proporções de difícil controlo, devido à pronta intervenção dos bombeiros de Castelo de Paiva, não ultrapassando os 100 metros quadrados de área ardida em cada uma das ocorrências.

O MP diz que o jovem terá atuado num quadro de alcoolismo e fragilidades psicológicas provocadas pelo sentimento de revolta por ter sido sujeito a uma amputação de ambas as pernas. O suspeito, que foi detido pela Polícia Judiciária poucas horas após os incêndios, chegou a estar em prisão domiciliária, encontrando-se, atualmente, sujeito a apresentações bissemanais no posto da GNR de Castelo de Paiva e à obrigação de tratamento médico à alegada dependência do álcool e eventuais fragilidades emocionais ou psíquicas.

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