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Correio da Manhã

Portugal

Incêndio em casa desaloja família

"Ó mãe, está fumo”. Foi com estas palavras que Frederico, de cinco anos, alertou a mãe para o incêndio a que tinha acabado de dar início em casa, um rés-do-chão situada na rua Nova da Boavista, na zona antiga de Silves. O menino, que insistira em vestir-se sozinho – a mãe ia levá-lo ao infantário – escondeu-se debaixo da cama e foi aí que, na brincadeira, acendeu o isqueiro do pai, dando origem ao fogo que deixou a família desalojada.
13 de Março de 2007 às 00:00
Devido ao incêndio, a família vai ter de ficar em casa de familiares, em Silves
Devido ao incêndio, a família vai ter de ficar em casa de familiares, em Silves FOTO: José Carlos Campos
Em nove dias, este foi o segundo caso de incêndio resultante de brincadeiras com isqueiros por parte de crianças.
“Ele veio ter comigo a dizer-me que havia fumo, mas eu não percebi logo o que se passava, só quando entrei no quarto e vi a cama em chamas. Tirei-o logo da casa, bem como aos nossos dois cães”, recordou ao CM Mercês Oliveira, de 24 anos.
Ainda em estado de choque, Mercês esclareceu que ela, o marido (carpinteiro, de 28 anos, que tinha saído para o trabalho) e o filho moravam naquela casa arrendada, “antiga mas remodelada”, desde “Setembro passado”. “Ardeu quase tudo, sobretudo no quarto do Frederico. A Câmara arranjou-nos roupas mas, como não tem nenhuma casa disponível para nos alojar, vamos ter de ficar em casa de familiares na cidade. O meu marido com a família dele e eu e o Frederico com a minha”, referiu.
Os Bombeiros Voluntários de Silves combateram o incêndio, que foi dado como extinto às 12h30. A GNR e a Polícia Judiciária também estiveram no local.
"HÁ DEZ DIAS FOGO MATOU JOVEM DIOGO"
No passado dia 3, Domingos dos Santos deixou o seu neto Diogo, de quatro anos, fechado numa sala enquanto dava de comer aos cães na vivenda que está ao seu cuidado perto da Senhora da Rocha, concelho de Silves. Foi ausência foi curta mas suficiente para a criança pegar no isqueiro electrónico que caiu do bolso do avô e atear o incêndio que lhe roubou a vida.
Tal como ontem, também o menino ficou sozinho pouco tempo. Tal como ontem, ninguém sabia que a criança tinha um isqueiro em seu poder. O pequeno Frederico teve sorte, foi ouvido pela mãe. Diogo não teve a mesma sorte. O avô estava fora de casa e só deu pelo fumo quando era tarde de mais. Ainda resgatou o corpo do neto às chamas mas os pulmões da criança não resistiram. Diogo entrou nos números de que Frederico escapou por pouco. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, 22 crianças perderam a vida em consequência de acidentes domésticos ao longo de 2005. Deste total, sete morreram por exposição ao fumo e chamas. Portugal é o sexto país comunitário com mais mortes acidentais de crianças.
PORMENORES
DESTRUIÇÃO
O fogo destruiu o recheio e parte da cobertura da casa, arrendada e situada na zona antiga de Silves. O quarto da criança foi o mais atingido.
BOMBEIROS
O alerta foi dado às 10h10, tendo o incêndio sido combatido pelos Bombeiros Voluntários de Silves, com 12 elementos e cinco viaturas.
APOIO
Os serviços de acção social da autarquia silvense disponibilizaram roupa para a família, que vai ficar alojada em casa de familiares.
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