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Correio da Manhã

Portugal
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Incêndio em edifício desaloja morador

Um foco de incêndio na cozinha de um edifício, na rua Teresa Ramalho Ortigão, em Faro, deixou ontem desalojado um homem de 84 anos. Os vizinhos deram-lhe guarida porque a casa, um imóvel de interesse público já em avançado estado de degradação, ficou inabitável.
9 de Abril de 2007 às 00:00
Desde ontem, nem os plásticos com que cobria a cama para se esconder da chuva que lhe invadia a habitação, protegem José Viegas Barras.
Um curto-circuito numa tomada junto ao fogão terá estado na origem do sinistro. “De manhã, quando aquecia o leite, vi fagulhas a cair do tecto. Supus que ardia qualquer coisa sobre a cobertura de madeira e chamei o meu vizinho. Disse-me que o melhor seria chamar os bombeiros mas quando eles chegaram já a situação estava complicada”, contou José Viegas Barras ao CM.
O foco de incêndio terá começado no sábado: “Tinha acabado de fritar batatas e estava a almoçar quando ouvi um estrondo. Pensei que era algo que acontecia na rua mas depois vi que o óleo estava a arder. Trouxe o tacho para a rua e pensei que o problema estava resolvido. Afinal, o fogo terá chegado ao tecto e foi consumindo a madeira”, admite José Barras, que ocupa o edifício, no centro de Faro, há 69 anos.
Apesar de ter sido recolhido na casa de vizinhos, a partir de hoje não sabe onde vai pernoitar. O gabinete de Acção Social da Câmara de Faro deverá dirigir-se ao local para avaliar a situação e providenciar o realojamento do octogenário.
OBRAS NÃO FORAM AUTORIZADAS
O edifício onde deflagrou o incêndio pertenceu a Teresa Ramalho Ortigão. Edificado no século XVIII e classificado imóvel de interesse público em 1977, está ao abandono. José Viegas Barras dorme numa cama coberta com plástico para que não lhe chova em cima. “Os donos já quiseram fazer obras, mas não foram autorizadas. Há seis ou sete meses estiveram cá uns senhores, presumo que do Instituto Português do Património Arquitectónico, a tirar medidas. Disseram que iam fazer obras, não sei é quando”, diz o octogenário, que paga três euros de renda por mês. O CM tentou ouvir responsáveis do IPPAR mas por ser domingo aqueles serviços estavam encerrados.
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