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Correio da Manhã

Portugal
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Ingleses procuram provas

A PJ ainda acredita que é possível acusar os pais de Madeleine pelo seu desaparecimento. Num momento em que os investigadores estão numa verdadeira luta contra o tempo – o processo poderá estar acessível aos arguidos a partir de 3 ou 14 de Janeiro, dependendo do entendimento do Ministério Público de Portimão –, a PJ aguarda os resultados das diligências pedidas a Inglaterra. Só depois serão enviadas as cartas rogatórias, mas fontes judiciais contactadas pelo CM acreditam que será possível elaborar uma acusação pública com os elementos já recolhidos.
18 de Novembro de 2007 às 00:00
Kate e Gerry continuam à espera da conclusão das investigações da Polícia Judiciária
Kate e Gerry continuam à espera da conclusão das investigações da Polícia Judiciária FOTO: Reuters
Avançar para o pedido de alteração das medidas de coacção – Kate e Gerry estão apenas sujeitos a termo de identidade e residência – é que parece ser cada vez mais difícil. Tal como, aliás, foi ontem assumido por Alípio Ribeiro que, em entrevista ao ‘Expresso’, disse não saber se algum dia “haveria prisões no caso Maddie”.
No entanto, diversas fontes contactadas pelo CM acreditam que será possível evitar o arquivamento dos autos, à espera de melhor prova. Esta é, pelo menos, a expectativa dos investigadores que, já na posse da quase totalidade dos exames aos vestígios biológicos recolhidos no carro e no apartamento dos McCann, tentam distinguir os perfis genéticos e reconstruir, de forma mais fiel possível, o ‘filme’ da noite do desaparecimento da menina e os passos posteriores da sua família.
O que resultará no final dos oito meses de investigação – Maddie desapareceu a 3 de Maio e o primeiro arguido a ser interrogado foi Robert Murat, ouvido no dia 14 – é ainda uma incógnita. Poderá passar por homicídio negligente, homicídio com dolo eventual ou mesmo um cenário de acidente. Saber a qualificação jurídica desta situação é fundamental para que a mesma seja enquadrada em termos criminais, já que diferentes cenários agravam ou diminuem a pena.
INSPECTORES FORAM PARA O ALGARVE
Os investigadores da Polícia Judiciária que estão a colaborar com o departamento da PJ de Portimão, no esclarecimento do caso Maddie – a menina britânica que foi vista pela última vez na Praia da Luz –, estiveram nos últimos dias no Algarve a trocar informações a propósito do processo. Os inspectores, afectos a várias áreas da PJ, entre elas os homicídios, tinham trazido cópias do processo para Lisboa, já digitalizadas, de forma a apreciar todos os elementos recolhidos ao longo destes meses. A estratégia passava exactamente por isso – fazer uma análise dos documentos, sem serem ‘contaminados’ com a informação existente no local – mas agora a fase final do caso exige que cruzem todas as informações recolhidas, de forma a sugerir novas diligências aos colegas do Algarve.
DIVULGADAS NOVAS FOTOGRAFIAS
Na tentativa de fazer com que o desaparecimento da criança britânica continue a ser falado na imprensa, “apesar de a investigação parecer estar estagnada”, um amigo dos McCann forneceu aos jornais ingleses fotografias novas de Madeleine. As imagens mostram Maddie ao colo dos pais quando tinha pouco mais de um ano de idade. Alegres e ternurentos. É assim que Kate e Gerry aparecem nas fotografias captadas em sua casa, em Leicestershire, onde se percebe que brincam com a criança. Os sítios on-line da imprensa inglesa de ontem dão destaque à emocionada entrevista que Jane Tunner deu à BBC Panorama há dois dias. A tese de rapto ganha consistência para a imprensa britânica. Jane afirma que tem vivido momentos difíceis e que se sente mal por não ter feito nada. A mulher do médico Russel O’Brien afirma ter visto o raptor que levou Madeleine e que só mais tarde é que percebeu que se tratava da filha do casal amigo.
EXPLICAÇÕES
RAPTO
A hipótese de rapto foi a primeira a ser aventada. Guilhermino Encarnação, director da PJ de Faro, começou por dizer ser aquela a linha de investigação, tendo acreditado que o caso seria rapidamente esclarecido.
ABUSOS SEXUAIS
Outra das teses investigadas pela PJ tentava enquadrar o desaparecimento de Madeleine num quadro de abusos sexuais. Robert Murat foi inserido nesse cenário, admitindo a PJ que pudesse ter raptado a criança para a vender ou para abusar dela. A falta de pistas acabou por fazer os investigadores abandonarem essa linha.
HOMICÍDIO
A morte de Maddie e o envolvimento dos pais só começou a ser investigado algum tempo depois do desaparecimento da criança. A PJ chegou a garantir que os pais não eram suspeitos, mas em Setembro foram constituídos arguidos.
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