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Correio da Manhã

Portugal
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Insegurança aumenta

Um estudo de uma empresa de soluções de segurança electrónica, a ADT, que hoje será apresentado, mostra que os portugueses abrem mão da privacidade em troca de segurança redobrada, aprovando a instalação de sistemas de videovigilância em parques de estacionamento, centros comerciais, aeroportos, discotecas e bares.
6 de Março de 2007 às 00:00
A rua é considerada insegura. Há quem acredite que as câmaras podem resolver o problema
A rua é considerada insegura. Há quem acredite que as câmaras podem resolver o problema FOTO: Vítor Mota
Num inquérito feito a 725 pessoas, em Lisboa, Porto e Algarve, mais de metade (58%) diz que a segurança piorou no último ano. Por isso, 43 por cento admite que Portugal é um País pouco ou nada seguro.
É na rua que os portugueses se sentem mais desconfortáveis: 73 por cento acredita que a via pública é o local onde corre maior risco. Os transportes públicos não escapam ao receio de insegurança e são apontados por 71 por cento como outro dos locais mais perigosos, seguido de perto pelos parques de estacionamento (65%).
A videovigilância é porto de abrigo da maioria dos portugueses, que prefere abrir mão da privacidade em troca da protecção: 58 por cento garante que se sente mais seguro em locais com câmaras e 82 por cento não tem dúvidas de que a instalação destes sistemas previne comportamentos ilícitos. Segundo João Ribeiro, director comercial da ADT, “os sistemas de videovigilância são um elemento muito dissuasor”.
Prova disso é o facto de 80 por cento dos inquiridos admitir que não sente receio quando está a ser filmados. Ainda assim, coloca barreiras à intromissão na vida alheia.
CONFIANÇA
A confiança nestes sistemas está directamente ligada com a garantia de que as imagens não são usadas para outro fim (72%), de que não existe manipulação (69%) e de que só as pessoas certificadas têm acesso ao seu conteúdo (53%).
É nos parques de estacionamento, nas discotecas, bares, aeroportos e centros comerciais que os portugueses entendem ser mais importante a existência de videovigilância. Para João Ribeiro, “as pessoas acreditam que sítios como os transportes públicos são espaços mais controlados”. “Têm maior sensação de controlo do que numa discoteca ou parque de estacionamento.” Os bares e discotecas, diz, “deveriam ter fiscalização mais apertada, pois é nos aglomerados que surgem mais rixas”.
PORTUGUESES DESCONHECEM PROTECÇÃO
A aparente confiança dos portugueses nas imagens recolhidas pelos sistemas de videovigilância esbarra na falta de informação. O estudo da ADT mostra que 56 por cento dos portugueses não sabe da existência de um organismo cujo principal objectivo é zelar pela protecção dos dados pessoais. Cerca de 30 por cento desconhece na prática quais as actividades desenvolvidas pela Comissão Nacional de Protecção de Dados. João Ribeiro, da ADT, entende que “é fundamental que exista dissuasão através do uso de câmaras”, mas admite ser não menos importante que “as pessoas sejam informadas da existência destes sistemas, da forma como as imagens são tratadas e de quem tem acesso às imagens recolhidas”.
NOTAS
ESPAÇOS SEGUROS
Cerca de 90 por cento escolhe o local de trabalho como o sítio mais seguro, 87 opta pelas bibliotecas e 84 por cento escolhe os hospitais e centros de saúde.
DESCONFORTO
Os condomínios, as residências, praias e elevadores são os sítios onde os portugueses se sentem mais incomodados com as câmaras de vigilância.
RISCO DE FURTO
Cerca de 87% admite ter câmaras no local de trabalho se houver elevado risco de furto.
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