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Correio da Manhã

Portugal
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Insegurança ignorada

O local onde há três semanas morreu um operário que fazia a limpeza de canais no rio Arunca “não reúne condições de segurança para os trabalhadores”, acusa a Inspecção Geral do Trabalho (IGT) numa avaliação preliminar.
15 de Abril de 2006 às 00:00
Amigos acham que a morte de Vítor Fonseca podia ter sido evitada
Amigos acham que a morte de Vítor Fonseca podia ter sido evitada FOTO: Jorge Lemos
As causas da morte de Vítor Fonseca estão a ser investigadas e o inquérito vai esclarecer se resultou de um acidente, um problema de saúde ou de uma queda por falta de protecção. Mas por enquanto e como medida cautelar os trabalhos estão suspensos.
Residente em Buarcos, Figueira da Foz, Vítor Fonseca tinha 50 anos e caiu à água na zona de Alfarelos, Montemor-o-Velho, em 24 de Março. Sabe-se agora que a deficiente segurança nas tarefas a desempenhar foi denunciada ao longo dos últimos três anos por vários trabalhadores do consórcio que ali opera, sob contratação do Instituto da Água (INAG).
“A vida dos trabalhadores é colocada em risco, há situações inaceitáveis”, diz Nélson Caniceiro, um dos que assinou as denúncias, por carta, às autoridades competentes.
A IGT garante que tem estado a intervir, mas os colegas e familiares de Vítor Fonseca acham que “a morte podia ter sido evitada” se os tivessem ouvido.
Entretanto, o consórcio Siságua/AGS/Ecotécnica e o INAG comprometeu-se a apresentar à IGT, até 20 de Abril, um plano com novas regras de segurança que passam, também, por mais equipamento.
Prometem formação na área dos primeiros socorros e eventuais protecções no açude do rio Arunca.
"SITUAÇÃO EXPLOSIVA"
Nas denúncias feitas nos últimos três anos, os trabalhadores da limpeza de canais no rio Arunca descrevem “uma situação explosiva”, com agressões físicas e psicológicas entre um encarregado e os operários, ameaças e abuso de bebidas alcoólicas no serviço. São relatadas duas quedas atribuídas à falta de segurança.
José Proença, chefe de Divisão do Instituto da Água, diz que Vítor Fonseca caiu à água “por razões estranhas” após ter acabado as tarefas. Mas admite que são necessárias melhorias para que os trabalhadores possam não correr riscos.
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