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Correio da Manhã

Portugal
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Inspectores da PJ absolvidos

Sem autores identificados, o colectivo de juízes e júri do Tribunal de Faro decidiu ontem absolver os três inspectores da Polícia Judiciária acusados de tortura a Leonor Cipriano, condenada a 16 anos pelo homicídio da filha Joana. Os outros dois arguidos, entre eles o ex-coordenador dos casos Joana e Maddie, Gonçalo Amaral, foram condenados a penas suspensas por falsificação de documento e falsas declarações.

23 de Maio de 2009 às 00:30
Cristóvão absolvido e Amaral condenado a pena suspensa
Cristóvão absolvido e Amaral condenado a pena suspensa FOTO: Nuno Jesus

Apesar de concluir que a queixosa "sofreu agressões" quando estava à guarda da PJ, o tribunal entendeu que não ficou provada "a forma como as lesões foram provocadas" e "quem as provocou", absolvendo Pereira Cristóvão, Marques Bom e Leonel Marques. Quanto à tese de queda de escadas, entendeu que "as lesões não eram compatíveis com a explicação". A convicção foi baseada no testemunho de uma técnica do Instituto de Medicina Legal, que a defesa dos inspectores contesta.

"Os dois arguidos só foram condenados porque o depoimento antagónico da senhora professora Teresa Magalhães foi considerado credível e tudo o resto foi esquecido", contestou o advogado Pragal Colaço, que vai recorrer da condenação a António Cardoso.

Também António Cabrita, advogado de Gonçalo Amaral, pondera avançar para recurso da condenação do seu constituinte.

LEONOR SEM CREDIBILIDADE

Os jurados e colectivo de juízes do Tribunal de Faro consideraram "sem credibilidade" o depoimento de Leonor Cipriano. Segundo o juiz Henrique Pavão, "mudou várias vezes de versão" e acusou pessoas de a terem agredido "com ligeireza", baseando-se numa lista de nomes que levou para a sala de audiências. "Mentiu quanto à identificação dos agressores e mentiu em outros aspectos essenciais", referiu o juiz.

Quanto às fotografias tiradas a Leonor, incluídas no processo, o colectivo entendeu que "são de fraca qualidade" e, por isso, "não foi possível tirar uma conclusão segura do que realmente aconteceu". 

PORMENORES

SUSPENSAS

O Tribunal de Faro condenou Gonçalo Amaral e António Cardoso a penas suspensas de um ano e três meses e dois anos e três meses, respectivamente, por falso depoimento e falsificação de documento.

ATAQUE

Pragal Colaço, advogado de quatro dos inspectores acusados, atacou o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, dizendo que "devia ter vergonha" por a Ordem se ter constituído assistente no caso.

SINDICATO

A Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da PJ congratulou-se pela absolvição de "três colegas". Para Carlos Anjos, a decisão "deu razão à posição defendida pela ASFIC".

 

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