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Correio da Manhã

Portugal
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Inspetor diz que utilizou carro emprestado em serviços da PJ de Setúbal

João de Sousa é um dos 33 arguidos no processo em julgamento no Tribunal do Seixal.
27 de Janeiro de 2016 às 22:04
O inspetor da PJ João de Sousa
O inspetor da PJ João de Sousa FOTO: A-Gosto.com

O inspetor da PJ suspeito de envolvimento numa fraude fiscal de 6,6 milhões de euros afirmou esta quarta-feira que utilizou uma viatura emprestada por um dos principais arguidos do processo ao serviço da Polícia Judiciária de Setúbal.

"Não tinha carros em condições na Polícia Judiciária de Setúbal. Cheguei a ficar parado com carros (da PJ) a deitar fumo", justificou João de Sousa, depois de reconhecer que Paulo Martinho, proprietário de várias lojas de ouro na margem sul do Tejo e ex-presidente da Associação de Comerciantes de Ourivesaria e Relojoaria do Sul, lhe emprestou o carro, devido ao relacionamento de amizade que foram construindo ao longo do tempo.

O inspetor da PJ de Setúbal, que responde pelos crimes de denegação de justiça e prevaricação, corrupção passiva, abuso de poder e violação de segredo de funcionário, é um dos 33 arguidos no processo em julgamento no Tribunal do Seixal.

De acordo com a acusação, a rede criminosa adquiria as peças em ouro através de lojas próprias e de fornecedores espalhados pela zona da Grande Lisboa e do Alentejo, sem fazer a respetiva declaração fiscal e a comunicação, obrigatória, à Polícia Judiciária. O ouro era depois fundido e vendido na Bélgica.

Escutas telefónicas

Durante a audiência desta quarta-feira, o inspetor da PJ de Setúbal revelou alguma dificuldade em explicar o teor de escutas telefónicas em que manifestava algum receio quanto ao comportamento futuro de Florbela Gaspar, sócia de Paulo Martinho e também arguida no processo, que estaria a revelar alguma instabilidade emocional.

Numa dessas escutas telefónicas, João de Sousa terá dito: "temos todo o rabo entalado, estamos todos no projeto", mas, instado pela juíza a esclarecer esta afirmação, disse que se referia a projetos futuros na área das ciências forenses, que pretendia desenvolver com a sócia de Paulo Martinho e outra arguida no processo.

Confrontando com a utilização de um telemóvel exclusivo para os contactos com Paulo Martinho, João de Sousa admitiu que o objetivo era evitar eventuais escutas telefónicas, face ao receio de que alguns contactos (de Paulo Martinho) pudessem estar sob investigação das autoridades.

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