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Correio da Manhã

Portugal
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Inspetores do SEF acusados de homicídio pelo MP por matarem ucraniano à pancada

Igor, de 40 anos, foi agredido com bastão extensível e morreu asfixiado. Deixou órfãos dois filhos menores.
Tânia Laranjo e Correio da Manhã 26 de Setembro de 2020 às 09:53
Igor tinha 40 anos
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF
Igor tinha 40 anos
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF
Igor tinha 40 anos
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF
Igor vinha à procura de trabalho mas foi morto nas instalações do SEF

A investigação da PJ não deixa margem para dúvidas: foram os três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) os responsáveis pela morte de Igor Homenyuk, cidadão ucraniano morto agredido com violência em março deste ano no aeroporto de Lisboa, após ter entrado em Portugal.

Segundo o Público, a investigação da Judiciária já está com o Ministério Público (MP), que prepara o despacho de acusação por homicídio qualificado, imputado aos três agentes do SEF, Bruno Sousa, Duarte Laja e Luís Silva, suspeitos de agredirem o homem, de 40 anos, até à morte.

A PJ descreve em pormenor a violência a que terá sido sujeito Igor, relatando que, no dia 12 de março, sob custódia do SEF, numa sala do CIT (Centro de Instalação temporária), sofreu agressões durante mais de 10 horas.

O CM revelou que Igor tinha 40 anos e pretendia trabalhar na construção civil. Teria uma promessa de trabalho feita por uma empresa belga e a falta de documentação terá levado a que o ucraniano mentisse às autoridades, dizendo que queria entrar no País como turista. O homem, que terá sido espancado e morreu por asfixia após lhe terem partido várias costelas, deixou órfãos dois filhos ainda menores, que vivem na Ucrânia.

Segundo o CM apurou, a família garante ainda, através do consulado, que não havia qualquer histórico de epilepsia - a explicação foi dada inicialmente pelos inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras para que o homem tivesse sido levado para a sala de detenção.

Já em tribunal, os três suspeitos, detidos pela PJ, mantiveram-se em silêncio. Recusaram dar qualquer explicação ao juiz de instrução, ficando apenas a conhecer os elementos que os investigadores tinham contra eles. O CM sabe que as câmaras de videovigilância não deixam dúvidas de quem foram os inspetores que levaram o cidadão ucraniano para a sala onde acabou por morrer. No entanto, não se sabe o que aconteceu lá dentro, apenas que pelo menos outras três pessoas - seguranças - o viram a entrar.

Igor foi encontrado já de manhã, algemado atrás das costas e em agonia. Estava ainda vivo, mas a morte foi declarada pela equipa médica, que não o conseguiu salvar. O caso foi depois investigado pela Polícia Judiciária, após o médico-legista ter considerado que a morte não era compatível com a descrição feita pelos inspetores.

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