Menores foram obrigados a correr à frente do carro e ameaçados para não contar sobre agressões. Um dos jovens chegou a desmaiar duas vezes.
Os militares da GNR que, em 2024, agrediram três jovens, que tinham fugido de uma instituição em Palmela, “subjugaram e humilharam” as vítimas. É esta a linha principal da acusação do Ministério Público (MP) aos quatro militares, sendo pedida a suspensão de funções pelos crimes de sequestro, injúria agravada, falsificação de documento, abuso de poder e denúncia caluniosa.
O caso aconteceu há quase dois anos e os jovens viveram momentos de terror, de acordo com o MP. Quando a patrulha da GNR os encontrou, junto a uma fábrica abandonada, obrigou-os a encostarem-se a um muro, de braços levantados e mãos colocadas na parede. Foi aí que as agressões se iniciaram, tendo os militares da GNR pontapeado, esmurrado e esbofeteado os menores. Os jovens foram ainda insultados com referências à sua cor de pele e à etnia.
Uma vez no local, os militares chamaram ainda um colega, que não estava de serviço, para participar nas agressões. Segundo o MP, este arguido agarrou um dos menores pela gola, levou-o até à fábrica abandonada e agrediu-o com um bastão. As dores foram tantas que o menor acabou por desmaiar. Foi depois arrastado para o interior da fábrica abandonada, onde voltou a ser agredido. Só a intervenção de outro militar pôs fim às agressões, pelo menos naquele local.
Junto a outro dos menores, este jovem voltou a ser agredido com uma bastonada na cabeça e desmaiou outra vez. Ao vê-lo caído, o militar fez-lhe um mata leão, isto é, “colocou o seu braço no pescoço do jovem, com a traqueia daquele na dobre do cotovelo”.
Os jovens foram depois levados para o posto da GNR. Estiveram no local cerca de uma hora. Aqui acabaram por voltar as agressões, desta vez com os menores algemados e virados contra uma parede.
No regresso à instituição onde estavam as vítimas, os menores foram obrigados a correr à frente do carro da GNR e, diziam os militares, quem parasse “levava mais”. Os menores foram ainda ameaçados para não contar sobre as agressões, e chegou a ser elaborado um auto falso. Nesse documento, era descrito que os jovens relataram agressões por outro jovem que trabalha na instituição e chegaram a ser colocadas frases que os menores teriam dito.
Apesar da suspensão de funções pedida pelo Ministério Público, os militares continuam no ativo. O ministro da Administração Interna, Luís Neves, prometeu uma decisão sobre o caso em breve, dizendo que não a pode tomar “sem conhecer os factos”.
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