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Correio da Manhã

Portugal
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INTERNADO DESAPARECE

Um idoso de 69 anos que, segundo a família, se encontra em estado “psicologicamente fragilizado”, esteve terça-feira, 27 de Julho, desparecido durante 12 horas, depois de ter recebido alta clínica, no Hospital Curry Cabral (HCC), em Lisboa, sem a presença de familiares ou de qualquer documento de identificação pessoal.
29 de Julho de 2004 às 00:00
O caso, segundo garantiu ao CM o presidente do conselho de administração do HCC, Pedro Canas Mendes, deu origem a um processo de averiguações, devendo as respectivas conclusões estar disponíveis no espaço de um mês.
Só que, até lá, a família revela-se inconformada com o susto por que passou e deseja saber o nome do médico que assinou a alta clínica para contra ele poder participar judicialmente. Preocupação não partilhada por Canas Mendes, que considera a responsabilidade do médico esgotada na decisão clínica de atribuir a alta. Ao mesmo tempo, lembra que o hospital não é uma unidade fechada, sugerindo que o idoso (Higino Francisco) possa ter abandonado o internamento pelo seu próprio pé e contra a opinião do médico presente.
Mas para Eduardo Francisco (filho do idoso) o processo começou a correr mal logo de início. Conta que o pai entrou no hospital pelas 15h00, tendo as respectivas análises sido efectuadas pelas 21h00, seis horas depois. Isto porque, segundo explica, “o pedido das análises andou extraviado”.
INTERNADO
Mas há mais. Pouco depois da meia-noite, já no dia 27, o médico de serviço às urgências informou os familiares de que o idoso deveria ficar internado, uma vez que as análises apresentavam “níveis de ureia muito elevados”. Na ocasião terão pedido à família para ligar no dia seguinte para saber o ponto da situação. Só que a alta foi assinada pelas 08h00 sem que a família fosse informada e sem que Higino Francisco tivesse qualquer documento de identificação.
Depois de percorrerem mais de 300 quilómetros do carro, por todo o tipo de caminhos, a família participou o desaparecimento na 31.ª esquadra da PSP (Rego), onde lhes foi pedido o nome do médico que assinou a alta. Pelas 21h00, Higino Francisco, apareceu finalmente na sua casa, em Sacavém.
Por parte do hospital, Canas Mendes garante que “dadas as informações contraditórias, foi aberto um processo de averiguações” e que as conclusões do mesmo “serão divulgadas, doa a quem doer”. Admitindo que o erro possa ter sido do hospital, Canas Mendes sublinha que o mesmo não é uma instituição fechada, tendo sido possível ao doente abandonar o serviço contra vontade dos responsáveis presentes. No que respeita à identificação do médico que assinou a alta, o director do hospital defende que “não é nesta altura oportuna a revelação do nome”, nem à família do idoso internado.
ESPERA DE UMA HORA EM CONSULTA DE URGÊNCIA
Os portugueses esperam, em média, quase uma hora por uma consulta de urgência, em hospitais ou centros de saúde. Muitos recorrem aos hospitais por problemas aparentemente pouco graves e metade destes não sabe que também os centros de saúde dispõem de urgências. Estas são algumas conclusões de um inquérito realizado junto de cinco mil pessoas, efectuado pela Deco e divulgadas na edição de Agosto da revista ‘Teste Saúde’. Segundo o inquérito, o tempo médio de espera por uma consulta de urgência é sensivelmente o mesmo nos centros de saúde e nos hospitais. Os problemas mais graves têm um atendimento mais rápido, sobretudo nos centros de saúde, mas a espera continua a ser demasiada: 48 minutos. Existem, no entanto, 14 por cento de utentes que afirmou ter esperado duas horas ou mais quando o problema era aparentemente grave. É no Alentejo que os doentes aguardam menos tempo por uma consulta de urgência, com uma espera média de cerca de meia hora. No lado oposto encontra-se o Algarve, onde os utentes têm de aguardar, em média, uma hora e vinte minutos para uma consulta nos centros de saúde. Um em cada quatro algarvios afirmou, porém, que é obrigado a esperar pelo menos duas horas. Também nos hospitais, os algarvios são os que tendencialmente mais esperam, apesar de não existirem diferenças significativas no tempo de espera por regiões. O inquérito revela que 40 por cento recorreram às urgências hospitalares por problemas menos graves, como dores de cabeça, constipações ou golpes ligeiros.
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