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Correio da Manhã

Portugal
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Inundação em Fátima pára comboios da Linha do Norte

O mau tempo que fustigou ontem o distrito de Santarém fez parar os comboios na Linha do Norte, obrigou ao corte do trânsito em diversas estradas e deixou três habitações em risco de derrocada. Ao início da noite, aguardava-se que o rio Nabão galgasse as margens e inundasse a cidade de Tomar.
5 de Novembro de 2006 às 00:00
A água acumulou-se junto à estação de comboios de Vale dos Ovos (conhecida por estação de Fátima), inundou o túnel ferroviário, e, às 15h44, a CP viu-se obrigada a mandar parar as composições que circulavam na Linha do Norte, entre o Entroncamento e Coimbra.
Os passageiros foram transportados de autocarro, prevendo-se que a circulação ferroviária naquela linha só hoje seja retomada.
Segundo Joaquim Chambel, coordenador distrital da Protecção Civil de Santarém, a forte precipitação afectou oito concelhos, sobretudo no Norte do distrito.Em Alcanena, três casas ficaram em risco de ruir e admitia-se a possibilidade de realojar os cinco moradores.
Seis viaturas foram arrastadas e submersas. Um armazém e três fábricas ficaram inundados.A queda de barreiras e a acumulação de água no pavimento levou ao corte de várias estradas em Ourém e Ferreira do Zêzere. Um barracão ficou destruído em Santarém, enquanto no Cartaxo três casas ficaram alagadas. Em Coruche, ruiu uma habitação antiga.
Torres Novas também registou algumas inundações.
Às 21h00, a cidade de Tomar estava em alerta, devido ao aumento – quatro metros em três horas – do caudal do rio Nabão. Previa-se a inundação do Mouchão e parte baixa da cidade.
BOMBEIROS ALAGADOS
Os bombeiros de Alcácer do Sal vivem permanentemente com o problema das cheias, porque o quartel está nas margens do Sado. Ontem, o rio galgou o leito e inundou o quartel e o heliporto que o serve.
“São as águas vindas da zona de Abela e São Domingos que hoje chegaram aqui”, disse ao Correio da Manhã Luís Praguento, o segundo-comandante dos Voluntários de Alcácer. No Inverno, quando as chuvas são frequentes, e pelo menos em três dias por mês no resto do ano, na altura da preia-mar, os bombeiros de Alcácer são obrigados a retirar para local seguro material informático, mobiliário e proceder a limpezas no edifício e às viaturas devido às cheias. “Embora estejamos preparados, é sempre um transtorno. Receamos que um dia a cheia seja grande de mais”, diz Luís Praguento.
POVO DE ABELA ALARMADO
“A ribeira já está cá em cima”, o aviso soou a meio da tarde de ontem pelas ruas de Abela, no concelho de Santiago do Cacém, Alentejo. Os habitantes da aldeia alentejana mais afectada pela enxurrada que caiu na madrugada de sexta-feira estão alarmados – porque a chuva não pára de cair e os campos estão alagados.
As imagens da torrente de lama e água a ‘varrer’ carros e a inundar casas ainda estão bem vivas na memória dos habitantes. “Todos nós estamos assustados e o pior é que as cheias são sempre de noite”, diz António Pereira, um dos habitantes de Abela, preocupado com os avisos da Protecção Civil que prevê “outra noite complicada”.
O autarca de Santiago do Cacém, Vítor Proença, que contabilizou um milhão de euros de prejuízos em todo o concelho, disse ao CM que já solicitou a intervenção do Instituto da Água na zona do leito da ribeira da Corona, nas linhas de água e barrancos e lamentou o silêncio dos representantes do Governo.
Para José Catalino, presidente da Junta de Freguesia, a situação mais urgente é a limpeza do entulho e material existente no túnel onde passa o ribeiro do Alheiro, afluente subterrâneo da Corona que inundou a Abela.
PAÍS
PORTALEGRE
No distrito de Portalegre, houve ontem 22 casas inundadas, sendo 15 em Ervedal, Avis.
PEDRAS NA A1
Uma derrocada na A1, no sentido Sul-Norte, obrigou à supressão da faixa direita, perto de Alcanena.
BOMBARRAL
A Estrada Nacional 8, no Bombarral, ficou submersa e foi encerrada ao trânsito, entre Paul e Delgada.
ALGARVE
O mau tempo de anteontem afectou 30 famílias, na zona de Monte Gordo.
REALOJADOS
A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António promete realojar dez famílias em dificuldades.
ÉVORA
Onze habitações sofreram inundações ao início da tarde, no distrito de Évora. Vendas Novas foi a localidade mais afectada.
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