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Correio da Manhã

Portugal
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Investigador diz que confrontos podem estender-se a Portugal

Os confrontos em Londres podem estender-se a outros países europeus, incluindo Portugal, onde também existe uma massa de jovens no desemprego, defende o investigador José Vegar.
10 de Agosto de 2011 às 11:06
Agente da polícia em Birmingham
Agente da polícia em Birmingham FOTO: Lusa

"Estão criadas as condições para que as contestações se alastrem", porque a "base da pirâmide demográfica é dominada por jovens, entre os 16 e os  25 anos, logo a propensão para haverem problemas é muito grande", disse à agência Lusa o investigador na área da segurança e professor universitário.

José Vegar exemplificou com os movimentos pela democracia em países  islâmicos, no norte de África, em que a "população tem uma maioria de jovens,  sem objetivos escolares e desempregados" implicando uma "tendência para existirem problemas muito grandes".

Em certas áreas urbanas das grandes cidades, nomeadamente "as periferias  das cidades de Lisboa, Setúbal, Porto as probabilidades [de protestos] são grandes", e não é só por uma "questão de austeridade, dificuldade do mercado de trabalho e do emprego", porque "já não é possível o estado social cobrir todas as funções que antes cobria".

O investigador lembrou que uma das "principais reivindicações é que querem emprego, querem proteção, [mas] isso acabou e já não há", tendo as "pessoas de se qualificar, para terem mais acesso. José Vegar justificou que a "cultura profissional e laboral dominante em Portugal é a de ter direito".

"Por muitas qualificações que as pessoas tenham hoje em dia, o acesso ao emprego não é automático, só os melhores vão ter acesso", o que aumenta a probabilidade de contestações e problemas sociais.

No caso inglês, "há uma extrema tolerância pelos pensadores, especialistas e académicos classificando os acontecimentos de movimentos sociais", o que é na óptica de Vegar "totalmente absurdo", porque os contestatários estão a "roubar,  pilhar, e a destruir indiscriminadamente".

A "única acção a tomar é a da lei", sendo "interessante observar" a atuação policial em Inglaterra em que "durante os primeiros dias procederam em contenção", estando já "numa táctica de força e de intervenção", com o modelo de atuação a "provocar danos colaterais".

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