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Correio da Manhã

Portugal
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Investigamos pouco na área da saúde

As ciências da saúde são o parente pobre da investigação suportada por fundos públicos em Portugal, afirmou ontem o coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Auto-Imunes (NEDAI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Luís Campos.
17 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Prémio NEDAI visa estimular o estudo das doenças auto-imunes
Prémio NEDAI visa estimular o estudo das doenças auto-imunes FOTO: arquivo cm
O médico falava no contexto do lançamento do prémio de Investigação em Auto-Imunidade, no valor de 7500 euros, patrocinado pelo NEDAI em colaboração com o Laboratório Schering-Plough.
Luís Campos, do Hospital São Francisco Xavier, considerou que “a investigação em saúde é escassa e está comprometida”, uma vez que – explicou – a transposição da directiva comunitária sobre ensaios clínicos “espartilha a pesquisa independente” em favor da realizada pelos laboratórios farmacêuticos.
Sobre o papel do Estado enquanto financiador de projectos de investigação, o coordenador do NEDAI notou que apenas cerca de 20 por cento do investimento canalizado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia é dirigido às ciências da saúde. São as ciências sociais e os vários ramos da engenharia que repartem a maior parte do financiamento.
Do total atribuído em 2001, mais de 49 milhões de euros, cerca de 8,6 milhões, respeitaram a projectos de investigação em saúde, o que representa pouco mais de 16 por cento.
Luís Campos lamentou a inexistência de laboratórios de investigação básica nos hospitais, sublinhando o benefício da articulação entre a prática clínica e a ciência básica.
CANDIDATURAS
O impulso da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna para a instituição do Prémio NEDAI em Investigação em Auto-Imunidade resulta da circunstância de serem os internistas os médicos mais preparados para lidar com este tipo de patologias. Isso acontece porque os clínicos de Medicina Interna, cerca de 1400 em todo o País, têm uma visão global do paciente, necessária no caso das doenças auto-imunes – entre as quais a artrite reumatóide, que afecta entre 35 mil e 45 mil portugueses, e o lúpus eritematoso sistémico –, pois podem afectar vários órgãos.
São aceites para avaliação os trabalhos realizados em Portugal e por grupos de investigadores que incluam médicos portugueses. Os autores devem apresentar a candidatura ao prémio na sede da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, até ao próximo dia 31 de Março.
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