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Correio da Manhã

Portugal
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IRLANDESES NO TRIBUNAL

Dois irlandeses de 18 anos estão detidos e serão hoje ouvidos no tribunal de Portimão, por, alegadamente, fazerem parte de um grupo que agrediu dois jovens portugueses na madrugada de sábado, na Praia da Rocha.
4 de Agosto de 2003 às 00:00
João Barroso e Pedro Martins garantem que não provocaram os irlandeses, sendo agredidos de surpresa
João Barroso e Pedro Martins garantem que não provocaram os irlandeses, sendo agredidos de surpresa FOTO: Direitos Reservados
O grupo dos agressores era numeroso - entre oito a dez elementos, incluindo raparigas, segundo o relato das vítimas - mas apenas dois estão identificados, um dos quais com uma marca no braço provocada por uma dentada de um dos portugueses, que tentou defender-se dessa forma.
O incidente deu-se a meio da madrugada e Pedro Martins e João Barroso não encontram explicação para o sucedido. "Estivemos num bar de um amigo, sem ingerirmos bebidas alcoólicas - conforme comprovam as análises realizadas - e regressávamos para o parque onde tínhamos deixado o carro. Sem que nada o fizesse esperar, começaram a agredir-nos", relata Pedro, visivelmente combalido.
A Polícia foi chamada mas não fez detenções. Face às graves lesões sofridas por Pedro, familiares e amigos - alertados para a possibilidade dos irlandeses se escaparem para o aeroporto, pois haviam chamados dois táxis para o efeito -, reuniram-se junto ao Clube Praia da Rocha, com o propósito de não deixarem os agressores partirem. Um terá, todavia, conseguido escapar do hotel.
A Polícia acabou por intervir e João Barroso foi chamado à esquadra para identificar os agressores. "Estavam vestidos de igual e com boné, mas reconheci dois deles", refere. Familiares queixam-se da "actuação tardia" da PSP. "Pensaram que se tratara de algo de somenos e só depois viram a gravidade da situação. O meu filho podia ter morrido!", diz António Martins.
MURROS, PONTAPÉS E PEDRADAS
Pedro e João, ambos de 25 anos, garantem que não provocaram os irlandeses. "Não houve uma palavra sequer. Eles agrediram-nos de surpresa." Num curto espaço de tempo "sucederam-se murros e pontapés e deram-me com uma pedra na cabeça. Estavam alcoolizados e eram muitos: oito ou dez, incluindo raparigas", conta Pedro, o mais maltratado dos dois, que foi arrastado alguns metros, sofrendo lesões por todo o corpo. Suturado no couro cabeludo e numa orelha, regressou ontem a casa, depois de passar mais de um dia no hospital. O jovem portimonense ainda não consegue ingerir alimentos sólidos, tem dores de cabeça e dificuldades de visão e hoje volta ao hospital, para novos exames, assim como João, que se queixa do nariz e da garganta. "Enquanto me aguentei de pé resisti; quando caí encheram-me de pancada."
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