O homem de 26 anos que anteontem foi baleado na cabeça, no Bairro de Santa Filomena, na Amadora, foi identificado pelas autoridades como meio-irmão de Osvaldo Vaz, ‘Celé’, o traficante cabo-verdiano que a PSP abateu, em Outubro do ano passado. A vítima das agressões encontrava-se, ao final da tarde de ontem, internada em estado bastante grave no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.
A Polícia Judiciária tomou conta das investigações desta ocorrência que, várias fontes policiais contactadas pelo CM, consideraram ‘bastante estranha’. No entanto, parece unânime a ideia de que foi um alegado ajuste de contas, embora de contornos ainda indefinidos, que esteve na origem da agressão.
Assim, pouco passava das 22h00 de quarta-feira quando Carlos Vaz se deslocou a casa de um indivíduo de 30 anos, residente igualmente no Bairro de Santa Filomena, na posse de uma caçadeira de canos serrados. “Aqui ele disparou três tiros contra a porta da casa do sujeito, colocando-se depois em fuga”, referiu fonte ligada ao processo.
Alertado para os tiros, o proprietário da casa visada saiu da sua residência, armado com uma caçadeira de canos serrados e uma pistola de gás, transformada para 6,35 mm, o que levou algumas testemunhas a alertar a PSP.
No entanto, a agressão acabou por consumar-se antes da chegada das autoridades. Carlos Vaz terá sido encontrado, numa das ruas do bairro, pelo proprietário da casa sobre a qual havia disparado, que lhe desferiu dois tiros na base do crânio. A vítima foi levada, a esvair-se em sangue, para o Hospital de São Francisco Xavier.
FLAGRANTE DELITO
Apesar das poucas explicações que ainda existem para a ocorrência, as autoridades já conseguiram identificar o autor dos dois disparos que levaram Carlos Vaz ao hospital. O indivíduo, de 30 anos, residente no Bairro de Santa Filomena acabou, no entanto, por não ser detido, uma vez que as autoridades não o conseguiram apanhar em flagrante delito. O suspeito das agressões confidenciou ainda à Polícia que suspeitava ter sido alvo de uma tentativa de homicídio por parte de Carlos Vaz, que disparou três tiros contra a porta da sua casa.
DESCONHECIMENTO
Carlos António Andrade Vaz, nascido em Cabo Verde, é meio-irmão de ‘Celé’, filhos do mesmo pai. A sua vinda para os arredores da Amadora deu-se com tenra idade, acabando por se fixar no Bairro de Santa Filomena, na freguesia da Mina. Cabeleireiro de profissão, o jovem vivia com Andreia Monteiro, para quem a ‘vida pacata’ do companheiro torna ainda mais misteriosa a agressão de que foi alvo, e que o deixou prostrado, em estado crítico, numa cama do hospital.
SÓ MORREU COM 42 BALAS
Nome: Osvaldo Anildo Silves Ferreira Vaz. Idade, 28 anos. Alcunha: Celé. Era este o bilhete de identidade de uma figura que, durante cerca de uma década, pairou como uma sombra sobre o Bairro do Alto da Cova da Moura, na Buraca, numa trajectória de crime que as autoridades só conseguiram parar com recurso ao poder letal de 42 balas, disparadas pelas armas do Grupo de Operações Especiais.
A partir do início da adolescência, altura em que jogou futebol nos iniciados do Benfica, Celé enveredou por um caminho de marginalidade, que nunca ninguém conseguiu parar. Primeiro foram os pequenos furtos, para depois virem os assaltos à mão armada. Com a entrada na idade adulta, Osvaldo entrou no tráfico de droga, alargando os seus negócios para fora da Cova da Moura. Até que aos 28 anos, a morte o levou.
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