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Correio da Manhã

Portugal
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Islão nos Sapadores

“O que nos une é muito mais do que o que nos separa”, afirmou ontem Rashid Ismael, responsável do Colégio Islâmico de Palmela, durante um seminário promovido pelo Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) de Lisboa. Para o religioso islâmico, o respeito pelas diferenças culturais é uma porta aberta para o desempenho das missões de salvamento nos países muçulmanos.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
A iniciativa do RSB prendeu-se com as dificuldades sentidas no terreno pelas equipas mandadas para os países islâmicos, ao abrigo dos compromissos internacionais de Portugal. “No sismo do Irão tivemos alguma apreensão em enviar uma bombeira. Afinal revelou-se uma medida acertada, porque facilitou o contacto com as vítimas do sexo feminino”, frisou o segundo-comandante do RSB, Niza Pato.
As fórmulas de saudação, o distanciamento entre sexos, com a consequente separação sexual nos espaços, sobretudo públicos, o cuidado na utilização de certos gestos e da discriminação na utilização das mãos, foram alguns dos pontos tocados por Rashid Ismael.
RITUAIS FUNERÁRIOS
Um ponto exaustivamente abordado foi o dos rituais funerários e a sua importância no mundo islâmico.
“A morte não é o fim, mas sim a transição de uma vida para a outra. É a própria família do falecido que faz questão de cumprir todo o ritual fúnebre, desde o banho dado ao corpo, até à descida à sepultura”, sublinhou o clérigo islâmico, acrescentando que sempre que uma equipa consegue retirar dos escombros um corpo, a família “mostra uma grande gratidão”.
O RSB tem, em regime de rotação mensal, uma equipa, com prontidão a quatro horas, para responder aos pedidos internacionais de auxílio. “O problema é que muitas vezes, um avião tarda cerca de 12 horas a estar em prontidão”, frisou Niza Pato.
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