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Correio da Manhã

Portugal
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ISTO SÓ SE RESOLVE A TIRO

Vítima de 20 assaltos nos últimos cinco anos, o empresário Francisco Martins afirma-se desesperado e teme mesmo vir a "cometer uma loucura", considerando que a única solução poderá ser "andar com uma pistola no bolso e disparar sobre o primeiro assaltante que apanhar, para que sirva de exemplo".
12 de Julho de 2003 às 00:00
 Francisco Martins diz que a sucessão de assaltos à sua loja em Ferreiros está a pô-lo doido
Francisco Martins diz que a sucessão de assaltos à sua loja em Ferreiros está a pô-lo doido FOTO: Secundino Cunha
O proprietário da 'Foto Club' em Ferreiros, Amares, assistiu anteontem a mais um assalto à sua loja de telemóveis e material fotográfico - co-mo noticiou o CM -, quando um indivíduo levou um telemóvel e fugiu com um cúmplice que o aguardava numa moto.
"Isto põe-me doido. Já ando a tomar antidepressivos, porque estes assaltos alteram-me completamente os nervos", confessou Francisco Martins, que diz ter já sido aconselhado a ir a uma bruxa, até porque os assaltos se sucedem desde que, em 1998, mudou a loja da vila de Amares para Ferreiros.
"A única bruxa para isto é andar com uma pistola no bolso e atirar ao primeiro assaltante que apanhar, para que sirva de exemplo. Ontem, se a tivesse, garanto que teria cometido um loucura, mas se calhar resolvia o assunto de uma vez por todas, porque isto só se resolve a tiro", contrapôs o empresário, que diz não desistir do negócio porque é a sua vida.
O empresário espera agora que as gravações de vídeo permitam identificar o assaltante, depois de ter dado para perceber que o objectivo do assaltante era a bolsa de uma cliente. Como a bolsa estava fechada e a mulher se desviou, o indivíduo acabou por ir à montra observar alguns telemóveis, até que rapidamente pegou numa das caixas e pôs-se em fuga.
ASSALTOS DIFICULTAM SEGUROS
O proprietário da 'Foto Club' não vai participar ao seguro o prejuízo do vigésimo assalto, para que a seguradora não rompa o actual contrato, atendendo a que ainda em Maio havia sido assaltado. "É que já vou na sexta seguradora", frisou Francisco Martins, lembrando que todos os rompimentos dos contratos anteriores partiram das companhias, alegando a ocorrência excessiva de assaltos. O empresário denuncia mesmo que tem sentido dificuldades em encontrar companhias que aceitem segurar a sua loja. A recusa de segurar um estabelecimento comercial é um direito das seguradoras, que podem alegar o risco demasiado elevado, mesmo que sejam garantidas todas as exigências ao nível das medidas de segurança. "O sistema de segurança tem sido sempre reforçado, com o que há de mais sofisticado, mas de nada adianta. E, desta vez, nem sequer foi de noite, mas em pleno dia", comentou o empresário, que, em caso de recusa das companhias em segurar a loja, poderá recorrer ao Instituto de Seguros de Portugal, que determinará qual a seguradora que terá de celebrar o contrato, mas mediante contrapartidas que a companhia é livre de exigir, até porque não se trata de um seguro obrigatório, mas facultativo.
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