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Correio da Manhã

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Ivo Lucas seguia a 128 quilómetros por hora no momento do acidente que matou a namorada Sara Carreira

Principal conclusão aponta no sentido da responsabilização de três pessoas pela sucessão de acidentes na fatídica noite na A1.
Sérgio A. Vitorino e Vanessa Fidalgo 2 de Dezembro de 2021 às 19:49
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A reconstituição do acidente que matou Sara Carreira. Dez carros evitaram colisão antes da tragédia na A1

Ivo Lucas conduzia a 128 km/h no jipe onde seguia com a namorada Sara Carreira no momento da colisão, na A1, em Santarém, que causou a morte da jovem de 21 anos, filha do cantor Tony Carreira, faz no domingo um ano. Segundo sabe o CM, a velocidade foi apurada numa perícia, junta ao processo no final de julho, realizada pelo Laboratório de Polícia Científica da PJ em parceria com o Instituto Politécnico de Leiria. Os dados da velocidade e da travagem foram retirados da centralina (cérebro eletrónico da viatura, uma espécie de ‘caixa negra’) do Range Rover Evoque.

Ivo Lucas é arguido pelo crime de homicídio negligente. O Ministério Público e a GNR, que o interrogou em março, têm na perícia da PJ sustentação para afirmar que o ator e cantor conduzia em velocidade excessiva: guiava rápido demais para as condições da autoestrada (chovia muito e a visibilidade estava reduzida também por ser noite cerrada). Em circunstâncias normais - sem má meteorologia, o acidente e a morte de Sara Carreira - o facto de conduzir a apenas 8 km/h acima do limite máximo seria uma contraordenação leve com 30 € de multa.

O método analítico utilizado pelo laboratório da PJ, que custodiou a centralina quando esta foi analisada pelos peritos do politécnico de Leiria, está, sabe o CM, a ser desenvolvido pelas duas entidades. A instituição de ensino tem reconhecidas qualidades nas perícias tecnológicas que realiza, asseguram as fontes. O pedido à PJ para realizar perícias à centralina foi feito apenas a 25 de maio - mais de cinco meses após o acidente.

Nas conclusões do inquérito da GNR ao acidente ocorrido a 5 de dezembro do ano passado, entregues há um mês ao Ministério Público de Santarém, são apontadas responsabilidades a mais dois condutores, além de Ivo Lucas. Um primeiro despistou-se sozinho na A1. A fadista Cristina Branco, que seguia atrás, não conseguiu evitar embater contra este. Este acidente terá sido mal sinalizado. Depois, Ivo Lucas, a 128 km/h, chocou contra a viatura da fadista. Sara Carreira não resistiu e morreu.

O CM questionou o advogado da família Carreira, André Matias de Almeida, que disse que a família desconhece a que velocidade circulava o veículo em que Sara Carreira seguia. Disse não se querer alongar mais por o processo se encontrar em segredo de justiça.

O CM apurou que as perícias ao veículo nunca foram reveladas à família. 



Tony Carreira revoltado com atraso no caso da morte de Sara: "Isto não é justiça"
Tony Carreira revelou recentemente ao Correio da Manhã alguma revolta sobre a investigação do caso da morte da filha. "Isto não é justiça alguma. O luto tem várias etapas e qualquer pai com uma perda irreparável como é esta tem o direito de saber em tempo razoável o que aconteceu”, afirmou ao CM, revoltado, Tony Carreira, quatro dias antes de se assinalar um ano após a morte de Sara Carreira.

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