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Correio da Manhã

Portugal
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Jovem árbitro vai para a cadeia

Ouvido ontem no Tribunal da Maia por ter assassinado António Sousa Pinho, 75 anos, Nuno Fernandes disse não ter esfaqueado o avô da ex--namorada de propósito. No entanto, as palavras do jovem árbitro não convenceram o juiz, que considerou fútil o motivo do crime, ocorrido na noite de sábado. O jovem aguarda julgamento em prisão preventiva.
25 de Outubro de 2011 às 01:00
Depois de ser ouvido pelo juiz de instrução, o homicida de António Sousa Pinho escondeu a cara
Depois de ser ouvido pelo juiz de instrução, o homicida de António Sousa Pinho escondeu a cara FOTO: Maria João Marques

Nuno, de 24 anos, diz que não queria matar, mas acabou por atacar o idoso com três facadas que se revelaram fatais. O juiz de instrução teve em conta a idade de António Sousa Pinho, que, com 75 anos, não se podia defender. O árbitro profissional de andebol era consumidor de droga e já tinha batido em Ana Pinho, a sua ex--companheira. Na altura, foi a mãe da jovem que apresentou queixa na PSP por crime de violência doméstica.

Ao que tudo indica, o jovem achava que o final do namoro com Ana era culpa da família da mesma. Há três dias, dirigiu-se à casa onde a rapariga vivia com os pais e com os avós, mas foi impedido de entrar na moradia por António Sousa Pinho. Depois de assassinar o idoso à facada, quando este lhe chamou "garoto", fugiu e escondeu a faca do crime na mala do carro.

A Polícia Judiciária acabou por deter Nuno pouco depois do homicídio, ainda com vestígios de sangue na roupa. A arma foi encontrada e logo apreendida.

Ao que o Correio da Manhã conseguiu apurar, o jovem tinha um futuro promissor como árbitro. Vários colegas garantem que Nuno Fernandes não arranjava problemas com ninguém, mesmo quando era jogador de andebol, e que era um óptimo profissional.

FAMÍLIA DE IDOSO EM CHOQUE

Os familiares e vizinhos de António Sousa Pinho, 75 anos, ainda não conseguiram aceitar a tragédia. Na rua do Catassol, em Gueifães, Maia, onde o idoso vivia, todos ficaram em choque com a violência do crime.

O CM tentou falar com o filho da vítima, mas este remeteu-se ao silêncio. "Por favor, percebam a nossa dor. É um momento muito complicado, não queremos mesmo falar com ninguém", disse, lavado em lágrimas. Ontem à tarde, uma das vizinhas do idoso chorava, à porta de casa, e dizia não compreender o que se tinha passado: "Não sei o que passou pela cabeça do rapaz para cometer um crime destes". A data do funeral não era conhecida. António deverá ser sepultado em Custóias, onde tinha família.

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