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Correio da Manhã

Portugal
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JOVEM EM FUGA PEDALA MAIS DE CEM QUILÓMETROS

O ‘chumbo’ no 6.º ano de escolaridade levou um rapaz de 13 anos a fugir de casa, em Calvão, Vagos, de bicicleta, para se ir encontrar com a madrinha residente em Barcarena, Oeiras. Em pouco mais de dez horas percorreu cerca de 100 quilómetros, até ser interceptado pela Brigada de Trânsito de Leiria na A8.
3 de Julho de 2003 às 00:00
Paulo P. saiu às 12h00 de terça-feira, pegou na bicicleta, uma mochila com uma muda de roupa, algum dinheiro e um envelope com a morada e o número de telefone da madrinha.
O jovem aventureiro disse ao CM que a sua acção “não foi pensada” e que está “arrependido de ter preocupado o pai”. “Estava com vergonha de contar que tinha chumbado segunda vez. Como conhecia o caminho, de ir de camioneta ou de carro, achei que, como ando muito de bicicleta, também lá chegava”, conta.
Sempre a pedalar, Paulo só parou para descansar em duas ocasiões: perto de Quiaios, “para comprar batatas fritas e água”, e na zona da Leirosa, para descansar um bocadinho”.
A ideia do pequeno era “chegar a Lisboa e telefonar” para que a madrinha o fosse buscar. Contava que dessa forma “o pai não se ia chatear tanto por causa do chumbo”, refere.
O pai do jovem só se apercebeu do desaparecimento de Paulo às 16h30, quando chegou do trabalho e não o encontrou em casa. “Procurei-o por todo o lado, até em casa dos amigos, mas não o encontrei. Foi quando a avó me disse que ele lá tinha ido pedir o número de telefone da madrinha que comecei a pensar na possibilidade de fuga”, refere o pai, que à noite ainda tentou refazer o percurso até à zona de Pombal.
Por volta das 23h00, quando já estava “a pensar o pior”, um telefonema da BT deixou o pai mais descansado. “Afinal estava bem e tudo não tinha passado de uma traquinice”, salienta.
Em casa de Paulo, onde vive com o pai e uma irmã de 11 anos (a mãe falece há quatro anos com um problema cardíaco), a família está agora a viver momentos difíceis.
“Tenho medo que esta acção lhe venha a trazer problemas na escola, que venha a ser apontado”, desabafa o progenitor, alegando que prefere “manter o anonimato”, por causa dos filhos e por viver “num meio pequeno, em que as pessoas gostam muito de criticar”.
ENTROU NA A8 SEM SER VISTO
O jovem ciclista percorreu cerca de 100 quilómetros em dez horas, seguindo as placas de sinalização que indicavam Lisboa, através da EN109. Em Leiria, cortou para o IC2 e seguiu “naturalmente” os sinais, entrando na Auto-estrada (A8), pela zona de portagens, sem que niguém se tivesse apercebido. A sua presença só foi detectada pela equipa de manutenção daquela via, algumas centenas de metros depois. A BT da GNR foi alertada eram 22h15. Levado para o Destacamento de Leiria, o miúdo mostrou-se “um pouco nervoso” e foi entregue ao pai perto da uma da manhã.
CASOS
‘PAPA-REFORMAS’
A entrada na auto-estrada de tractores, motos abaixo dos 125 c.c. e bicicletas é proibida, mas por vezes são detectados condutores deste tipo de veículos em infracção. Os casos mais comuns envolvem carros para os quais não é exigida a carta de condução, conhecidos por “papa-reformas”. Quando se apercebem, por norma, os condutores pedem ajuda à GNR.
TOLERÂNCIA
O adolescente apanhado a circular na A8 de bicicleta vai beneficiar da tolerância da Brigada de Trânsito (BT) da GNR, em relação a uma eventual punição por ter infringido as leis do Código da Estrada. Além de ser menor, as autoridades reconhecem que ele não agiu com intenção, pelo que, desta vez será perdoado.
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