Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

JOVEM INVENTA VIOLAÇÃO

Afinal tudo não passou de uma invenção a história da jovem de 21 anos do Laranjeiro que, no dia 16, se apresentou às autoridades como tendo sido sequestrada e violada, dez vezes, por três indivíduos, um dos quais com sotaque estrangeiro. Mas a invenção poderá custar agora à jovem um processo-crime por parte da Procuradoria da República por ter simulado um crime, com todas as consequências que daí advêm, quer para as forças policiais quer para a população.
25 de Junho de 2003 às 00:00
Segundo o Departamento de Investigação Criminal de Setúbal da Polícia Judiciária, a jovem inventou o sequestro e violação para justificar, em casa e à família, uma noite passada fora, numa residencial da margem sul do Tejo”.
Aliás, através das investigações, a PJ concluiu que a jovem inventou toda aquela trágica história por ter receio da reacção paterna.
A rapariga, balconista de um estabelecimento comercial e residente no Bairro de S. João, Laranjeiro, disse, na altura, um sábado ao final da tarde, que tinha saído da residência para despejar o lixo e comprar um maço de tabaco no Centro Comercial do Laranjeiro, quando foi supreendida por dois indivíduos. A rapariga contou que lhe taparam a boca de imediato para que não gritasse, vedaram-na e arrastaram-na até um furgão, conduzido por um terceiro homem.
Depois, os três indivíduos, um dos quais com sotaque estrangeiro, andaram a circular toda a noite, violando-a sucessivamente dentro do furgão, uma Toyota Hiace branca. Segundo contou, acabaram por abandoná-la já no domingo, pelas 07h30, num local ermo perto da Verdizela, no concelho do Seixal, onde foi descoberta por um popular, a vaguear pela zona, fingindo-se desorientada e confusa. Teria sido, aliás, nessa zona que passou a noite com o namorado.
A jovem chegou a apresentar queixa na GNR, e o caso foi passado para a PJ de Setúbal, com a jovem a ser sujeita a testes clínicos, que comprovaram a existência de vestígios de sémen. A Judiciária teve que colocar quatro investigadores a trabalhar no caso a tempo inteiro e o Departamento de Setúbal começou a receber inúmeros telefonemas de preocupados pais de jovens, que queriam saber como estavam a correr as investigações, um reflexo do pânico que rodeava a população.
As investigações vieram a provar que tudo não passou de uma invenção, mas a jovem incorre agora num processo judicial, enquadrado na figura do Código Penal de “Simulação de Crime”, artigo 366º, que prevê pena de prisão até um ano ou até 120 dias de multa, uma sanção destinada a quem “denunciar crime ou fizer criar suspeita da sua prática à autoridade competente”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)