Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

JUDICIÁRIA APRESSA ANÁLISE DE OBJECTOS

A PJ está com pressa em analisar todos os objectos recolhidos anteontem na casa onde vivia Joana, na aldeia da Figueira. Ao que apurou o CM, pouco tempo depois de concluída a peritagem na habitação e após breve passagem pela Directoria de Faro (cerca de 15 minutos), três elementos da Judiciária já estavam a caminho de Lisboa, levando no porta-bagagens do carro pelo menos três sacos com material para ser examinado no Laboratório da Polícia Científica.
23 de Outubro de 2004 às 00:00
Apesar de se terem passado anteontem 39 dias sobre a data do desaparecimento da criança e de, durante todo este tempo, a casa nunca ter sido selada, a Polícia Científica acredita que ainda será possível obter provas periciais que tragam luz em relação a todo este mistério.
Os investigadores revelam especial interesse pela casa, dado que terá sido aí que a criança foi morta, alegadamente pela sua própria mãe, Leonor, e pelo tio, João – ambos actualmente em situação de prisão preventiva.
De acordo com as nossas fontes, os elementos da Polícia Científica, que vestiam batas brancas e se apresentavam com luvas de látex, não terão deixado nada por examinar dentro da pequena habitação (constituída por uma sala e cozinha de apoio, dois quartos e uma casa de banho).
Os investigadores examinaram cuidadosamente (e com recurso a equipamento próprio) a roupa, calçado e objectos existentes na casa, recolhendo alguns destes, em particular peças de vestuário, para posterior análise laboratorial.
O sofá e camas mereceram uma grande atenção por parte da PJ, que terá extraído amostras para examinar em Lisboa.
A investigação da Judiciária estendeu-se ainda ao exterior da habitação, tendo sido, nomeadamente, recolhido um papelão.
A PJ quer, por outro lado, determinar com absoluto rigor que peças de roupa vestia Joana no dia do desaparecimento. Isto porque houve depoimentos algo contraditórios por parte de algumas testemunhas, designadamente sobre a cor das roupas da menina.
Depois da ‘maratona’ feita pela PJ anteontem na casa da pequena Joana, no dia de ontem os inspectores encarregues do caso optaram pela descrição, não sendo notadas grandes movimentações na aldeia.
FAMILIARES PRESENTES NA CASA
Leandro, o padrasto da pequena Joana, e uma irmã deste, Sara, estiveram durante todo o tempo que demorou as buscas (quase oito horas) a acompanhar a PJ na casa. Os dois familiares nada comeram durante todo o dia, ficando nos quartos enquanto os investigadores reviravam a casa.
No final, os dois foram conduzidos à PJ de Faro, mas, segundo os próprios, praticamente não foram interrogados, limitando-se “a assinar uns papéis”. Regressaram por volta da meia-noite.
PÉ SUSPEITO
Restos de um pé humano, com alguma carne agarrada aos ossos, foram ontem descobertos no aterro de Beja, que serve concelhos que fazem fronteira com o Algarve. Nos restos, que podem ser de criança, adolescente ou mulher, eram visíveis quatro dedos com as unhas.
Recorde-se que a PJ admite que o corpo de Joana tenha sido esquartejado e transportado de carro. Uma das primeiras pistas seguidas incidiu sobre o aterro do Barlavento. A PJ tomou conta do caso.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)