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Correio da Manhã

Portugal
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Judiciária cai a pique com greve

Há mais de dois meses em greve, recusando-se a trabalhar entre as 17h30 e as 09h00, a esmagadora maioria dos investigadores da Polícia Judiciária não parece ter intenções de abrandar nas reivindicações pelo pagamento de horas extraordinárias, por exemplo.
4 de Março de 2011 às 00:30
Carlos Garcia, da ASFIC, forneceu dados da operacionalidade da PJ
Carlos Garcia, da ASFIC, forneceu dados da operacionalidade da PJ FOTO: Bruno Colaço

Desde o dia 15 de Dezembro, vários mandados de detenção ficaram por cumprir e investigações complexas e demoradas foram por água abaixo. Os números operacionais da PJ caíram a pique – entre Dezembro e Janeiro, a PJ deteve 212 pessoas, contra as 381 do ano anterior, e o número de inquéritos saídos situou-se nos 4914, contra 5511 de 2009. Nos dois meses houve 539 buscas, contra 669 do ano anterior.

Ontem, na apresentação dos resultados, Carlos Garcia, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), falou de uma autêntica "asfixia orçamental" e associou-a a "uma série de castigos por causa da abertura de inquéritos de carácter político". "No ano de 2006 cumpria a Polícia Judiciária a sua missão, nomeadamente procedendo a diversas investigações, como à Casa Pia às universidades Independente e Moderna, quando sofreu um severo corte orçamental do qual nunca conseguiu recuperar. Ainda hoje são visíveis as nefastas consequências do ataque de que foi alvo", disse.

O presidente da ASFIC pediu ainda a demissão da Direcção Nacional da PJ, liderada por Almeida Rodrigues, e pediu uma calendarização das suas reivindicações à tutela. "Passaram-se muitos anos com supostas negociações entre a tutela e a ASFIC, sendo que não se tratavam de negociações sérias, porque não foram efectuadas por pessoas sérias. Foi um constante ganhar de tempo que já dura há tempo demais. E com este ganhar tempo, à PJ só poderia ter acontecido o que vem acontecendo – definhou", acrescentou.

A ASFIC queixa-se do reduzido efectivo que compõe os quadros da PJ, a deficiente cooperação internacional, uma frota automóvel desadequada, velha e sem manutenção, e ainda um sistema informático desajustado.

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