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Judiciária descobre toneladas de bombas

A Secção Regional do Combate ao Banditismo da Policia Judiciária do Porto descobriu, em Pedras Salgadas, concelho de Vila Pouca de Aguiar, um contentor com mais de dez toneladas de explosivos – como ‘Goma 2 Eco’ (utilizado nas atentados de 11 de Março, em Espanha), ‘Gelemonite’, ‘Genite’ e ‘Riogel 2’.

13 de abril de 2005 às 00:00

O prazo de validade da maioria daqueles explosivos já tinha sido ultrapassado, o que os torna ainda mais perigosos. “Aquilo podia explodir a qualquer momento”, disse ao CM fonte da Polícia Judiciária. Um da PSP contactado pelo nosso jornal calcula que a explosão de cargas de 10 toneladas seria sentida num raio de cerca de 30 quilómetros.

O contentor, idêntico aos que são utilizados em camiões como caixa térmica, encontrava-se ao lado da casa principal de um paiol, na Estrada das Romanas, nos arredores de Pedras Salgadas. Estava suportado por ‘pernas’ de modo a evitar o contacto directo com o solo. “Um simples raio de trovoada poderia ter originado a explosão, de consequências imprevisíveis para as populações em redor” – disse fonte da Polícia Judiciária.

O material encontrava-se dentro do perímetro de um dos paióis da empresa Moura, Silva e Filhos Limitada, da Póvoa do Lanhoso, cujos proprietários, António Moura, e os três filhos, há duas semanas, como o CM noticiou, foram obrigados a pagar caução para saírem em liberdade após uma operação da PJ no Norte do País em que foram encontrados 800 quilos de explosivos fora da lei. Os gestores deste paiol são Valdemar David, e a mulher, Cândida David, igualmente constituídos arguidos na sequência da operação policial de há 15 dias.

Esteve ontem no local, além da PJ, uma equipa da PSP, uma vez que a fiscalização de paióis é da responsabilidade desta última força de segurança.

Dado tratar-se de explosivos “que não existem”, por não terem documentação, e por uma grande parte já se encontrar fora de validade, PSP e PJ vão conferir todo o material – tarefa que pode demorar dois dias.

Os explosivos serão depois destruídos, de forma controlada, nas imediações do paiol.

EXPLOSÃO SERIA SENTIDA NUM RAIO DE 30 QUILÓMETROS

Até as próprias autoridades policiais têm dificuldade em determinar o poder de destruição das cerca de dez toneladas de explosivos ontem encontrados num paiol em Pedras Salgadas, no concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Uma fonte policial especializada, ontem contactada pelo CM, estimou que as ondas de choque provocadas pela detonação de uma tão grande quantidade de explosivos poderiam fazer-se sentir num raio de aproximadamente 30 quilómetros. “Nunca houve em Portugal uma detonação com uma carga dessas. Mas não custa admitir que os estragos se poderiam fazer sentir num raio de 30 quilómetros”, disse a mesma fonte.

“Os estragos causados em Espanha, nos atentados de 11 de Março de 2004, aconteceram devido à explosão de apenas 100 quilos de ‘Goma 2 Eco. A capacidade destrutiva de dez toneladas deste e de outros explosivos iriam depender do local onde ocorresse a detonação. Mas com toda a certeza seriam inimagináveis”, disse outra fonte policial.

DUAS OPERAÇÕES NO ESPAÇO DE 15 DIAS

Uma operação da Polícia Judiciária, em vários locais do Norte de País, tinha levado em finais de Março à apreensão de 800 quilos de explosivos. Foi no seguimento deste acção que a PJ descobriu, ontem, o contentor com dez toneladas de material pronto a explodir a qualquer momento.

Os explosivos interceptados em Março foram fabricados na empresa Moura, Vieira & Filhos, na Póvoa do Lanhoso – fábrica a que pertencem os paióis onde agora foram descobertas as 10 toneladas.

Na primeira operação, os investigadores da PJ encontraram 400 quilos de ‘Gelemonite’, 75 de ‘Amunix’, e 70 de ‘Goma 2 Eco’, bem como 1263 detonadores e bobines de rastilho. O material então apreendido pela Polícia Judiciária deveria ser utilizado em obras públicas ou pedreiras.

‘GELEMONITE’

Trata-se de um explosivo gelatinoso, feito à base de nitrato de amónio, nitroglicol e absorventes orgânicos, de forte densidade e grande resistência à água. A sua aplicação pode ser feita a céu aberto, mas também pode ser usado na abertura de túneis e galerias.

‘GENITE’

A ‘Genite’ é uma substância potencialmente explosiva usada na fabricação de vidros muito espessos. A sua elevada densidade faz com que, em algumas situações, os vidros nem sequer estilhacem quando sofrem o impacto de disparos feitos por armas de fogo.

‘RIOGEL 2’

O ‘Riogel 2’ é um explosivo de última geração, de alta potência, sensível ao detonador. O seu manuseamento é, em regra, seguro sendo por isso bastante utilizado em pedreiras, minas, e túneis. O ‘Riogel 2’ combina energia e densidade elevadas, o que torna o seu comportamento excelente, em rochas de várias durezas.

‘GOMA 2 ECO’

Possui aproximadamente o mesmo valor de propagação da onda de choque da ‘Gelemonite’. No entanto, ao contrário desta, que é de origem portuguesa, a ‘Goma 2 Eco’ é espanhola. O seu nome ficou conhecido a 11 de Março de 2004, quando um grupo de terroristas o usou nos atentados de Madrid. No entanto, trata-se de um material mais estável, que não explode de qualquer maneira.

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