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Correio da Manhã

Portugal
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JUDICIÁRIA ESCAVA NA FIGUEIRA

A Polícia Judiciária procedeu ontem a buscas exaustivas nos terrenos contíguos à casa onde morava Joana, na Figueira. Homens e máquinas – estas cedidas para o efeito pela autarquia portimonense – passaram a pente fino, durante toda a tarde, o local, cheio de entulho e vegetação, sem que contudo tivessem detectado vestígios da criança de oito anos desaparecida e presumivelmente morta faz hoje exactamente um mês.
12 de Outubro de 2004 às 00:25
As intensas buscas e escavações ontem efectuadas terão por base o facto de, entre o desaparecimento da criança (vista pela última vez com vida cerca das 20h30, junto à igreja da aldeia) e a entrada do tio, João Cipriano, num café da zona, haver um espaço de tempo de pouco mais de meia hora.
Pelas 22 horas, toda a família – com excepção de Joana – foi vista na Festa do Berbigão, a beber cerveja e a comer marisco. Nessa altura, já a mãe, Leonor Cipriano, teria referido ao marido, António Leandro, que não sabia da filha, pois esta não tinha regressado a casa depois de ela a ter mandado comprar leite e conservas à pastelaria.
Nesse curto espaço de tempo, os dois presumíveis criminosos terão conseguido limpar os vestígios do crime e desfazer-se do corpo, pelo que este não deverá ter sido ocultado muito longe da casa. Essa será a razão das diligências da PJ se terem centrado nas proximidades da habitação, isto apesar de João Cipriano ter dado um grande número de pistas falsas.
O CM confirmou que a PJ não tem quaisquer dúvidas sobre o facto de a menina ter sido morta e de no crime estar envolvida a mãe e o tio, ambos detidos. A PJ sabe o que passou, onde e porquê e, ao que tudo indica, o móbil do crime não terá sido o pouco dinheiro que a criança tinha consigo, mas sim qualquer coisa mais obscura, que os investigadores ainda não querem divulgar.
'ELA PEDIU-ME PARA TER JUIZINHO'
António Leandro, o padrasto de Joana, voltou, este domingo, a visitar a mulher, Leonor Cipriano, que se encontra detida no presídio feminino de Odemira. “Achei-a mais magra e triste, mas, ainda assim, mais calma. Ela até me pediu para ter ‘juizinho’ durante o tempo que ela estiver detida”, revelou Leandro, com quem o CM falou ontem, na Figueira. “Ela continua a dizer o mesmo, que não sabe da filha e que o irmão é que pode esclarecer qualquer coisa”, adiantou. No regresso do trabalho, uma sucata perto de Alcalar, Leandro deparou-se com as escavações que a PJ estava a efectuar junto à sua casa, mas não se demorou nem se mostrou admirado. Abandonou de imediato o local, de boleia com um amigo, a fim de ir ter com os filhos a Lagos. Recorde-se que a família do padrasto de Joana tem manifestado a sua confiança em Leonor, muito embora a mãe de Leandro, Lurdes David, já tenha afirmado ao nosso jornal que, “se se vier a provar ela está envolvida no caso, nunca mais a quero ver nem saber dela”.
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