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Correio da Manhã

Portugal
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Judiciária tem novos indícios

Os dois suspeitos do homicídio do francês André Le Floc’h foram ouvidos ontem pela Polícia Judiciária de Portimão, tendo sido confrontados com vários novos indícios que apontam para o seu envolvimento no crime praticado a bordo do trimarã, naufragado no dia 17 deste mês ao largo do Cabo de São Vicente, em Sagres.
31 de Agosto de 2006 às 00:00
Corinne Caspar e Tierry Beille chegaram separados em carros celulares às instalações da Inspecção da PJ cerca das 10h00. Os inspectores terão começado por interrogar Tierry Beille, que, em entrevista à revista francesa ‘Paris Match’ (que será publicada hoje), mantém a versão de que agrediu o proprietário do trimarã depois de aquele ter tentado violar Corinne.
Ontem, o homem e a mulher foram no entanto confrontados com resultados das investigações efectuadas pela PJ, que afirma ter na sua posse elementos que provam o envolvimento do casal na morte de André Le Floc’h. Tanto os exames periciais como a autópsia ao cadáver do velejador de 67 anos terão permitido aos investigadores determinar o dia e a hora da morte que, segundo a PJ, terá sido premeditada.
O interrogatório a Corinne, o primeiro efectuado na PJ de Portimão desde a detenção dos dois suspeitos, ainda continuava às 22h00 de ontem e foi acompanhado pelo advogado oficioso do casal, Francisco Pagarete.
"VAIS PAGAR A VIAGEM"
À revista francesa ‘Paris Match’ citada pela Lusa, os suspeitos afirmam que o carro em que se deslocaram para Portugal foi deixado em Vila Real de Santo António. “Deixámos o nosso parque de campismo. Não queria deixar o carro em Olhão porque havia no porto uma festa e pessoas pouco recomendáveis. Viajámos depois para Vila Real de Santo António, onde deixei o carro num parque, e voltámos para Olhão de comboio”, afirmou Thierry em entrevista à revista francesa.
O casal garante que, na segunda noite do cruzeiro, Corinne foi alvo de tentativa de violação, tendo Thierry ido em seu socorro com “uma barra e um novelo de corda para amarrar André”. Quando atacou Corinne, o velejador terá dito “agora vais pagar a viagem” e tirou “do bolso uma faca”, mas a mulher atingiu-o com um objecto, “uma caçarola”.
A revista avança que a mulher contou ao advogado como conheceu André num café em Olhão e que, depois de amarrarem o dono do trimarã, “Corinne deu bolachas a André e tentou dar-lhe calmantes para diminuir a sua agressividade”. Thierry negou a intenção de roubar o barco e assegurou que André estava vivo quando se deu o naufrágio.
CAPITÃO EM LISBOA
O capitão do navio-tanque espanhol ‘Sichem Fenol’, que detectou o naufrágio do ‘Intermezzo’ ao largo do Cabo de São Vicente, foi ouvido esta semana pela PJ. Emílio Palácios, que estará hoje em Lisboa, irá entregar aos inspectores as roupas dos suspeitos, recolhidas durante o sinistro. Segundo fonte policial, as peças de vestuário poderão ser importantes para provar o envolvimento dos suspeitos no homicídio. A PJ também já ouviu o ex-proprietário do trimarã, residente em Angra do Heroísmo. Deocleciano Silva, que vendeu o veleiro a André Le Floc’h em 2002, disse ao CM que os inspectores “só fizeram perguntas sobre o interior da embarcação”.
TAXISTA REAFIRMA
O taxista marítimo João Buinho garante que levou três pessoas para o ‘Intermezzo’, onde já se encontravam outras duas. “Duas mulheres e um homem subiram a bordo, carregando diversos objectos, incluindo cerveja e uísque”, referiu Buinho, entrevistado ontem no programa ‘Fátima’, da SIC. O destino era a Armona: “Disseram-me para acostar no barco, que estava perto de terra. A bordo estavam um homem e uma mulher”, revelou Buinho, que admite terem algumas podido sair pelo seu pé, pois a água dava pela cintura. Sobre uma misteriosa morena, disse tratar-se “de uma mulher de 38 ou 40 anos, com cabelo meio louro ou acastanhado”.
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