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Correio da Manhã

Portugal
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Juiz prende três do Passerelle

O proprietário dos clubes de ‘striptease’ Passerelle, Vítor Trindade, ficou ontem em prisão preventiva, por suspeitas de associação criminosa, envolvimento numa rede que explorava prostituição (lenocínio), tráfico de mulheres e auxílio à imigração ilegal.
15 de Janeiro de 2006 às 00:00
Vítor Trindade, patrão dos clubes Passerrelle, é  suspeito de  associação criminosa
Vítor Trindade, patrão dos clubes Passerrelle, é suspeito de associação criminosa FOTO: Carlos Barroso
Com ele, recolheram à cadeia o sócio, Alfredo Morais (ex-PSP), e Paulo César, ex-gerente do Passerelle do Algarve. O irmão de César, Rui Batista, que era responsável do bar Photus (propriedade de Vítor Trindade, em Lisboa), ficou em prisão domiciliária com pulseira electrónica.
As medidas de coacção foram anunciadas já de madrugada (01h40), no Tribunal de Leiria, após uma ‘maratona’ que teve início segunda-feira de manhã.
O processo é tão complexo que os advogados de defesa só abandonaram o Palácio da Justiça depois das 05h00. Todos manifestaram intenção de recorrer da decisão do juiz de instrução criminal.
A operação ‘Yankee’ levou, na madrugada do último domingo, a oito detenções pela Polícia Judiciária. Os detidos são suspeitos de pertencerem a uma rede “poderosa e bem financiada” que teria como objectivo colocar imigrantes ilegais, sobretudo brasileiras e mulheres de Leste, no mercado do sexo em Portugal.
Quatro dos arguidos, entre os quais uma mulher, foram libertados quarta-feira pelo mesmo juiz de Leiria e aguardam o desenvolvimento do processo em liberdade.
"A NOITE ESTÁ CADA VEZ MAIS PERIGOSA"
Miguel Reis, advogado de defesa de Vítor Trindade, considera que o principal objectivo deste processo era encerrar os estabelecimentos como os clubes Passerelle. Segundo o advogado, o “negócio da noite está a ficar perigoso” e cada vez se torna mais difícil avaliar, de acordo com a lei, “o que é considerado acto sexual”.
“Sei que avisei o meu cliente de quais seriam as consequências de alguns comportamentos, e sei que há fronteiras entre a legalidade e a ilegalidade, que julgo não terem sido ultrapassadas. Mas há quem entenda que sim”, disse ontem o advogado. Miguel Reis reafirma a inocência de Vítor Trindade e espera que o seu recurso seja atendido pelo Tribunal da Relação.
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