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Correio da Manhã

Portugal
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Juíza ameaçada à bomba

Tem 65 anos, é reformado, sofre do síndrome de ‘stress pós-guerra’ e nutre pela Justiça um ódio particular. Conflituoso por natureza, recorre com frequência às ameaças para fazer valer os seus intentos. No final do ano passado, deixou uma carta à porta de casa da mulher de um familiar seu, onde dizia que se aquela não lhe desse 30 mil euros explodia com tudo.
28 de Janeiro de 2012 às 01:00
Vítima presta serviço no Tribunal de Águeda
Vítima presta serviço no Tribunal de Águeda FOTO: Miguel Pereira da Silva

O alvo era uma juíza, e o homem foi agora constituído arguido pela Polícia Judiciária de Aveiro, por ameaças e tentativa de extorsão a um órgão de soberania. Não foi levado ao juiz para primeiro interrogatório judicial, porque as autoridades entenderam que não havia perigo efectivo. Ele estava descontrolado. Prestou apenas termo de identidade e residência.

Segundo o CM apurou, o caso ocorreu no início de Setembro. A carta deixada à porta da magistrada era clara: "Chegou a hora da vingança", lia-se na missiva, onde o homem garantia: "Ou pagas 30 mil euros ou a tua casa vai ser destruída à bomba".

O reformado foi logo tido como suspeito, mas a juíza levou as ameaças a sério e as autoridades prontamente investigaram. Estava não só em causa a sua integridade pessoal, como também a vida do seu marido e os dois filhos menores. E era fundamental perceber se a situação decorria de um caso pessoal ou se tinha qualquer relação com a sua actividade profissional. O caso foi imediatamente comunicado à Polícia Judiciária de Aveiro e também ao Conselho Superior da Magistratura.

A magistrada, que tem 37 anos e presta serviço no Juízo de Média e Pequena Instância Cível de Águeda, nunca deixou o serviço. Continuou em funções, rodeou-se de cautelas e não chegou a beneficiar de protecção pessoal. Ao fim de três meses, a PJ identificou o suspeito. Não era a primeira vez que escrevia cartas ameaçadoras a familiares e vizinhos.

ÁGUEDA BOMBA ARGUIDO TRIBUNAL JUÍZA
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