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Correio da Manhã

Portugal
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Rosa Grilo em tribunal: “A PJ agarrou dois idiotas. Sou inocente. Fui um alvo fácil”

Viúva do triatleta afirmou também que filho "não merece perder a mãe". Alegações finais marcadas para a próxima semana.
Tânia Laranjo e Rita F. Batista 19 de Novembro de 2019 às 10:19
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Ricardo Serrano Vieira, afirma que estão a ser ouvidas novamente as mesmas pessoas na 11.ª sessão do julgamento do homicídio de Luís Grilo ocorre esta terça-feira no Tribunal de Loures.
Rosa Grilo e António Joaquim voltaram esta terça-feira ao Tribunal de Loures para a 11.ª sessão do julgamento do homicídio de Luís Grilo. O tribunal chamou novamente três testemunhas para a sessão: dois inspetores da Polícia Judiciária e um perito do laboratório da polícia científica. No final do dia, ficou decidido que alegações finais ficavam marcadas para a próxima semana.

Declarações de Rosa Grilo em tribunal
"A PJ agarrou dois idiotas. Sou inocente. Fui um alvo fácil", foi desta forma que a viúva do triatleta se defendeu esta terça-feira no tribunal de Loures, afirmando também que nunca magoaria o seu filho e que este "não merece perder a mãe".

A viúva de Luís Miguel Grilo afirmou que "nada paga a morte dele (triatleta)".

Advogada de Rosa à saída do tribunal
"Estava ansiosa pelo desfecho do processo. É normal que o arguido vá tomando anotações, até para depois se poder defender", afirmou Tânia Reis, advogada de Rosa.

Advogado de António Joaquim questiona e fala de falta de rigor neste processo
O advogado do arguido António Joaquim, Ricardo Serrano Vieira, afirmou que "se houve falta de rigor, foi neste processo", dizendo que a peritagem não deve ser rápida, mas sim rigorosa.

Defesa de António Joaquim e Rosa Grilo falam à chegada ao tribunal de Loures
Recorde-se que a fase de produção de prova teria terminado na sessão anterior, mas a juíza ordenou a reabertura devido a dúvidas sobre a contaminação da arma do crime, dúvidas essas que beneficiariam a defesa de António Joaquim. 

Em declarações aos jornalistas à chegada ao tribunal, o advogado de António Joaquim, Ricardo Serrano Vieira, afirma que estão a ser ouvidas novamente as mesmas pessoas porque "algo que foi dito no passado não bate certo".

"Quem pediu a inquirição dos senhores poderá ter dúvidas, eu já não as tenho", acrescenta.

A advogada de Rosa Grilo, Tânia Reis, chegou ao tribunal e mostrou-se expectante com estas inquirições.

Inspetores PJ e perito novamente ouvidos
Os dois inspetores, um deles inspetor-chefe, asseguram que nunca a custódia de prova foi posta em causa e justificam-no, mostrando os autos de levantamento de provas, nomeadamente do projétil.

O perito, que foi ouvido por videoconferência, recorreu à prória arma de serviço para explicar passo a passo. Fez uma zaragatoa na zona da pega da arma e uma outra no interior do cano, numa zona "muito inicial". O perito explica que aquela é a zona onde há sempre mais probabilidade de haver vestígios de sangue, de ADN porque é uma zona que normalmente, quando o tiro é dado de perto, fica sujeita a salpicos.

Afastam-se assim todas as suspeitas levantadas pela defesa de António Joaquim. Ainda assim, o advogado Ricardo Serrano Vieira está convicto de que a perita, que acompanhou o perito que foi esta terça-feira ouvido na recolha de prova, tinha referido que a zaragatoa foi mesmo feita ao longo do interior do cano, e não na zona inicial, como foi explicado.

A busca à casa do António Joaquim é considerada válida e é indeferido o pedido de nulidade apresentado pela defesa do amante, não só porque no auto de busca a hora de início assinalada são as 07h00 da manhã e não as 06h00 referidas pelo advogado, mas também porque a juíza diz mesmo que poderia até ter sido antes das 07h00 por haver motivos que o justifiquem neste caso

A juíza espera receber os manuais das alegações finais ainda na manhã desta segunda-feira, mas os advogados nao deverão prescindir do tempo de análise da prova.

À saída para a pausa da manhã, a advogada de Rosa Grilo continua a afirmar que as explicações dadas na parte da manhã vieram ainda mais reforçar a defesa, tanto de Rosa como de António Joaquim, de que não houve cuidado no tratamento das provas, não foi também assegurada a custódia de prova.

O pedido do advogado Ricardo Serrano Vieira para que as alegações dele pudessem durar mais do que uma hora não foi aceite pela juíza.
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