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Correio da Manhã

Portugal
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Juízes eram clientes do Nick Havana

Vítor Jorge, um dos seus arguidos ligados a bares de alterne de Bragança acusados de favorecimento da prostituição e de apoio à imigração ilegal, lançou ontem uma verdadeira bomba em tribunal. Disse que o bar Nick Havana, encerrado pela polícia em Fevereiro de 2003, era frequentado por “altas figuras da cidade”, como “juízes e advogados”.
2 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Quem não gostou do que ouviu foi o juiz presidente do colectivo. “Vamos esclarecer uma coisa: viu no Nick Havana algum de nós que está a julgar este caso”? – perguntou o magistrado. O arguido respondeu que não, mas acrescentou que “iam outros”.
A sala de audiências voltou a aquecer com uma ameaça proferida por outro dos arguidos. Durante o intervalo da sessão, Domingos Alfredo Celas Pinto, sentado no banco dos réus, voltou-se para trás – e, alto e bom som, prometeu aos jornalistas presentes “um tiro a cada um”.
O arguido Vítor Jorge disse aos juízes que no Nick Havana era apenas empregado de mesa, porteiro e responsável pela colocação de cervejas nas arcas frigoríficas. Confessou que no andar de cima do bar havia prostituição.
Outro dos arguidos que ontem prestou declarações foi Domingos Sá, dono do prédio onde funcionava o bar. Explicou ao tribunal que não sabia que havia ali prostituição, garantindo aos juízes que apenas se deslocava “àquela casa” quando o pagamento da renda estava atrasado. O Ministério Público acusa Domingos Sá, o senhorio, de ter arrendado o edifício apesar de saber que ali se explorava a prostituição.
Os seus arguido são acusados de 112 crimes de lenocínio (favorecimento da prostituição) e crimes de apoio á imigração ilegal.
Nas declarações para memória futura, antes de serem extraditadas para o Brasil, as mulheres explicaram como vinham para Portugal, quem pagava as passagens e quem as ia buscar de táxi a Madrid, atribuindo sempre essa tarefa aos irmãos Domingos e António Celas Pinto. O julgamento tem sessões marcadas para todos os dias desta semana, dada a extensa lista de testemunhas arroladas e dos depoimentos de memória futura que ainda falta ouvir.
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