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Correio da Manhã

Portugal
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Juízes protegem mãe homicida

Alexandra Gomes, que confessou ter matado 3 filhos à nascença, começou ontem a ser julgada à porta fechada. Ninguém pode assistir.
6 de Fevereiro de 2014 às 07:57
Alexandra Gomes (à esquerda na foto) com a sua advogada
Alexandra Gomes (à esquerda na foto) com a sua advogada FOTO: Rui Miguel Pedrosa

Comm o objetivo de preservar a intimidade e a dignidade de Alexandra Gomes, a mulher que confessou à Polícia Judiciária ter matado três filhos à nascença, o Tribunal de Figueiró dos Vinhos está a realizar o julgamento, que começou ontem, à porta fechada. O coletivo de juízes justifica ainda que a divulgação dos factos em discussão pode colidir com a "moralidade de uma sociedade democrática" e "até gerar fenómenos de imitação dos factos que compõem o despacho de Acusação".

Em resposta a um pedido da arguida, de 28 anos, o coletivo de juízes considera "evidente" que a divulgação das audiências de julgamento poderá "repercutir-se gravosamente na sua dignidade", já que a "matéria em discussão contende diretamente com a esfera da intimidade da arguida".

Este fundamento, que assenta na questão da dignidade da arguida, "merecia ser mais desenvolvido" pelo tribunal, por parecer "insuficiente e vago", disse ao CM Paulo Otero, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa. Na sua opinião, qualquer pessoa julgada por homicídio sente a dignidade em causa ao reviver o caso, mas isso por si só não justifica que as audiências sejam à porta fechada.

Alexandra Gomes está acusada de um crime de homicídio qualificado e de três de profanação de cadáver e ontem aceitou depor, explicando demoradamente as circunstâncias em que se desfez de cada um dos filhos.

Quando foi detida, em setembro de 2012, tinha sido mãe há poucos dias. O parto decorreu em casa e ela colocou o bebé num saco de plástico, que guardou num roupeiro. Sofreu uma forte hemorragia e foi hospitalizada, o que motivou a intervenção da PJ. Ao ser confrontada, confessou não só aquele homicídio, como outros dois nos últimos seis anos.

As gravidezes resultaram de relações esporádicas. Desfez-se dos bebés por não querer mais filhos. Tem uma filha de sete anos, que vive com o pai.

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