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Correio da Manhã

Portugal
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Ao minuto Atualizado às 18:16 | 16/09

Advogado João Medeiros da PLMJ confirma que emails encontrados nos discos de Rui Pinto foram exibidos no blogue "Mercado de Benfica"

Procuradora confrontou assistente no processo com documentos.
16 de Setembro de 2020 às 08:50
João Medeiros à chegada ao Campus da Justiça
Rui Pinto em tribunal
Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto
Tiago Rodrigues Bastos à chegada ao Campus da Justiça
João Medeiros à chegada ao Campus da Justiça
Rui Pinto em tribunal
Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto
Tiago Rodrigues Bastos à chegada ao Campus da Justiça
João Medeiros à chegada ao Campus da Justiça
Rui Pinto em tribunal
Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto
Tiago Rodrigues Bastos à chegada ao Campus da Justiça
Ao minuto Atualizado a 16 de set de 2020 | 18:16
17:45 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
Termina a sessão. Esta quinta-feira serão ouvidos de manhã os assistentes no processo, Rui Costa Pereira e Inês Almeida Costa.

Para a tarde está prevista a audiência do inspetor da Polícia Judiciária (PJ), Miguel Covas Amador.
17:30 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto, pergunta a João Medeiros se se recorda se o telefonema que recebeu na passagem de ano de 2018 para 2019 era de indicativo romeno. O advogado confirma e explica porque conhece o indicativo: "tivemos lá em casa uma empregada romena que ajudou a criar o meu filho mais velho e afeiçoou-se à família. Telefona ainda a dar os parabéns. Quando vi o indicativo achava que era a senhora", explica.
17:25 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
A Procuradora mostra alguns documentos que estavam nos discos de Rui Pinto e pergunta a Medeiros se aqueles eram os seus emails, a que assunto se reportavam e se tinham sido exibidos no "Mercado de Benfica."

O advogado confirma que se lembra de todos os documentos. "Conheço todos. Dizem respeito a um pedido que foi feito ao Conselho Regional de Lisboa da OA, respeitante a 3 advogados e um membro da SAD do Benfica", afirma, acrescentando que os mesmos foram publicados no blogue.

"Não conseguia fazer nada, nem eu, nem o Rui nem a Inês, não conseguíamos trabalhar, vivíamos em constante ansiedade. É uma sensação de andarem a mexer nas nossas coisas", confessa, admitindo que contactou serviços de uma psicóloga para o ajudar. "Contei-lhe o que se tinha passado e ela disse que não estranhava. Disse-me que era brutal ter a vida devassada", lembra.

"Nunca fiz, não sei fazer nada desse tipo de negócios. Não faço contratos, não crio empresas, não crio offshores. Eu represento as pessoas", atira.

O advogado diz que passou num constante estado de 'paranóia'. "Se uma pessoa passava por mim na rua e sorria, eu achava que se estava a rir de mim", afirma.

O assistente recorda que na contestação, o hacker disse que foi "por acaso" que entrou no email de João Medeiros, justificando que "foi à procura porque percebeu que os advogados eram uma peça-chave" no caso de alegado branqueamento de capitais de Isabel dos Santos.

O advogado nega a publicação de qualquer documento relacionado com a empresária angolada. "Não tratava de nada relacionado com a Eng. Isabel dos Santos, não era cliente". 

Medeiros nunca recebeu nenhum pedido de desculpas de Rui Pinto e admite "nunca falei com o arguido".
16:31 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
Após descobrirem que a invasão era 'interna', os associados da PLMJ começaram a trabalhar apenas por mensagem e telefone.

João Medeiros refere que a informação divulgada dizia sempre respeito a "assuntos apetitosos do ponto de vista mediático".

"Foram publicados 65 volumes da Operação Marquês", avança o advogado, acrescentando que as pastas completas publicadas encontravam-se no computador dele, do Rui e da Inês.

"Cada vez que íamos a sessão do E-toupeira eram publicados áudios das testemunhas do processo", confessa Medeiros, que sentiu alguma tensão por parte dos colegas. "Passaram a olhar para mim como 'tu com estas coisas do futebol, se não fosses tu isto não tinha acontecido’. Senti que me culpabilizaram", admite.

A procuradora mostra documentos publicados no Mercado de Benfica, sobre vistos Gold, E-toupeira, Parvalorem, e outros, pedindo para Medeiros identificar se era do seu email, ou computador, ou de algum colega da equipa Penal. O advogado identifica alguns como sendo seus, "outros tinham as iniciais da Inês".
16:23 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
Sobre a Operação Marquês, Medeiros confessa que "foi publicada correspondência e do processo das Secretas também, que aliás tinha documentação sujeita a segredo de Estado".

O assistente no processo diz que havia até documentos que tinham sido enviados para o primeiro-ministro por envelope lacrado e que nunca foi aberto. O documento secreto acabou por ser divulgado no blogue.

"Foi um momento difícil. Tinha a noção que tinha o computador completamente devassado, emails expostos, clientes a ligar para saber o que se tinha passado. Vivíamos todos em sobressalto constante com a próxima publicação no blogue", admite.
16:15 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
O advogado João Medeiros afirma que no dia 31 dezembro de 2018 recebeu informações pelas 22h00 de um serviço informático que o avisou de que a sua caixa de email estava publicada. Pelas 00h00 da passagem de ano, "recebi um telefonema em que a pessoa falava inglês com acento [sotaque], em que se ria e desejava que eu tivesse um bom ano de 2019. Indicativo era de um país de Leste", revela.

"O escritório tinha sido comprometido. Eram cerca de 9GB de informação, eram mais de 24 mil emails", todos de João Medeiros, que assume: "por preguiça não os fui arrumando", tendo tudo na mesma caixa que foi integralmente divulgada no blogue Mercado do Benfica.
14:20 | 16/09
João Medeiros, advogado de casos como E-toupeira, Operação Marquês e no processo EDP, chega ao Campus da Justiça para a parte da tarde da sessão desta quarta-feira.

O assistente do processo, e ex-advogado da PLMJ, é um dos principais visados nos ataques de Rui Pinto à sociedade.

Medeiros viu vários emails e documentos dos casos serem divulgados no blogue "Mercado de Benfica".
12:47 | 16/09
Pausa para almoço na sessão desta quarta-feira.

À saída, o advogado do hacker, Teixeira da Mota, referiu que o julgamento "está a decorrer normalmente", recusando-se a responder a mais perguntas dos jornalistas.
12:30 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
Quando confrontado com os documentos, Luís Pais Antunes confirma que são seus. "Só estava no meu computador", remata e acrescenta "Fui eu que escrevi".

É questionado sobre outro documento e se identificava a mancha gráfica do blogue "Mercado de Benfica" e confirma "era este o aspeto". Esclarece que, no total, havia quase 600 computadores - entre fixos e portáteis - e 912 caixas de email. Avança também que "a generalidade dos advogados tem pastas pessoais nos computadores" e admite o endereço profissional para efeitos pessoais.

Pais Antunes sublinha que havia igualmente emails e acessos a computadores que "ficaram ativos dois meses". Noutros casos duravam algumas semana, dias ou horas. A hora 'chave' seria entre as 3h00 e as 6h00.

O assistente no processo não consegue precisar o dia exato da decisão instrutória do E-Toupeira e do final do processo das Secretas. 

Quando questionado sobre se se criou ambiente de desconfiança com um dos estagiários da PLMJ que trabalhava no processo em causa, o advogado diz que "havia um mal-estar, não desconfiança. A situação era incómoda; mais do que a devassada, viram a vida exposta e a vida dos seus clientes também".
11:31 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
Pais Antunes refere que no final de dezembro de 2018 Medeiros foi contactado por um número estrangeiro e pouco depois desse contacto toda a sua conta de email foi divulgada.

Os casos que viram informação divulgada foram a Operação Marquês, Processo que envolvia António Mexia e EDP, vistos Gold, Sporting, Parvalorem, Henrique Granadeiro e Processo das Secretas. "Confirmo todos esses acessos", avança o assistente, referindo que a informação 'roubada' era "relevante, sigilosa, ligado ao sigilo profissional e segredo de justiça".

Pais Antunes disse ainda não ter conhecimento sobre uma eventual investigação sobre a divulgação das informações dos respetivos processos.
11:25 | 16/09
Lusa
A intrusão nos sistemas informáticos do escritório de advogados PLMJ surgiu através de um email falso das Finanças.

Luís Pais Antunes avança que uma das advogadas da sociedade recebeu um email das Finanças e, por precaução, remeteu-o para o técnico informático de serviço naquele dia e este acabou por abrir o email, concedendo inadvertidamente acesso aos sistemas informáticos, onde estavam guardadas as autorizações e documentos.

"No prazo de 48 horas percebeu-se qual era a porta. Grande parte das autorizações estava concentrada no mesmo servidor. Soube-se mais tarde que o 'guarda noturno' [técnico informático] não teve a perceção do erro", explica o líder do escritório de advogados alegadamente alvo de intrusão por Rui Pinto, criador da plataforma Football Leaks.

11:17 | 16/09
Pais Antunes explica que a sociedade detetou, no final de dezembro de 2018, a divulgação de informação relativa a vários processos, que poderia ter vindo da PLMJ mas também de outras instituições.

Só no final do mês é que foi revelada informação do processo E-Toupeira "relativa à inquirição de testemunhas que nunca tinha sido divulgada para o exterior".

O advogado explica que a equipa de informática começou a investigar. Pais Antunes trocou alguns emails com João Medeiro, publicados logo depois no blogue "Mercado de Benfica."

As perícias forenses feitas através de uma empresa externa permitiram apurar que "não se tratava de um acesso pontual", mas sim recorrente "e que se prolongava desde outubro".

A empresa percebeu que o acesso era "feito a partir de dentro". Pais Antunes explicou que quem entrou no sistema da PLMJ fê-lo com credenciais de administrados do sistema, a "chave-mestra que permitia abrir qualquer porta" nos sistemas informáticos da PLMJ. Terá sido através dos técnicos de informática, que tem acesso remoto, que foi obtida a credencial, "que permitiu que os acessos fossem conduzidos a partir de casa".

"Tivemos dias com centenas, milhares de ataques" que não tiveram sucesso, mas "o invasor estava dentro de casa", avança o advogado.
10:33 | 16/09
A juíza dá início à sessão.

Pais Antunes diz que nunca conheceu pessoalmente os arguidos, afirmando que só conhece por aquilo que lê nos jornais.
10:15 | 16/09
Rui Pinto entra na sala, seguido por Luís Pais Antunes.

O advogado e assistente no processo, que trabalha na PLMJ, é o primeiro a falar na sessão desta quarta-feira.
09:48 | 16/09
A advogada da Doyen, Sofia Branco Ribeiro, chega ao Campus da Justiça para mais uma sessão, assim como Rui Costa Pereira, ex-advogado na sociedade PLMJ, que será ouvido esta quarta-feira.

O advogado de Rui Pinto, Teixeira da Mota, também já chegou ao local, mas recusou-se a prestar declarações aos jornalistas.

Pedro Barosa, advogado da Federação Portuguesa de Futebol, e Tiago Rodrigues Bastos, atual advogado da PLMJ, também se recusaram a responder às questões da comunicação social.
09:02 | 16/09
No total Rui Pinto acedeu a 25 contas de email de advogados da sociedade PLMJ, uma das maiores do País.

O ataque informático terá ocorrido em outubro de 2018, após três advogados da PLMJ terem sido contratados pelo Benfica para defenderem o clube das águias em vários processos, como o E-Toupeira.

Rui Pinto quereria desvendar a estratégia de defesa do clube da Luz, assim como aceder aos interrogatórios, autos, diligências da PJ e outras peças processuais associadas, tudo informações protegidas pelo segredo de justiça.

As informações terão sido depois divulgadas pelo hacker português.
08:50 | 16/09
Pedro Zagacho Gonçalves
Continua esta quarta-feira o julgamento de Rui Pinto no âmbito do processo Football Leaks, naquela que é a terceira sessão em tribunal, no Campus de Justiça, em Lisboa. 

Ao longo do dia vão ser ouvidos quatro advogados, assistentes no processo, que terão sido alvo de ataques informáticos por parte do jovem hacker português.

O destaque vai para João Medeiros, advogado do Benfica em vários casos, como o E-Toupeira, cujo email terá sido invadido por Rui Pinto. Luís Miguel Pais Antunes, Rui Manuel Costa Pereira, e Inês Almeida Costa, que na altura eram advogados na sociedade PLMJ, são os outros assistentes ouvidos esta quarta-feira.
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