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Correio da Manhã

Portugal
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Julgamento: "Rastejava no chão se ela me pedisse"

O homem que matou o avô da ex-namorada confessou esta terça-feira em tribunal o crime e explicou que estava "obcecado" pela rapariga e que as ameaças feitas tinham como finalidade "saber se ela tinha namorado".
26 de Junho de 2012 às 14:49
Avô da ex-namorada foi morto à facada
Avô da ex-namorada foi morto à facada FOTO: Ricardo Cabral/ Ilustração

"Eu, na altura, era completamente maluco por ela, fazia tudo por ela. Rastejava no chão se ela pedisse", contou o arguido, na primeira sessão do julgamento a decorrer no Tribunal da Maia.

O árbitro de andebol, de 25 anos, está acusado de um crime de homicídio qualificado, um de tentativa de coacção e um de detenção de arma proibida.

Os factos constantes da acusação do Ministério Público, e hoje lidos em tribunal, remontam a Outubro de 2011, quando, após arbitrar um jogo em S. Mamede de Infesta, o arguido se deslocou à rua onde morava a ex-namorada, permanecendo no carro até cerca das 22h00, altura em que resolveu saltar o muro e entrar.

Terá sido então que se cruzou com o avô da ex-namorada, desferindo-lhe "violentos golpes" com uma faca de mato comprada na véspera.

De acordo com a acusação, o árbitro não encarou bem o fim da relação de cerca de dois meses com a rapariga (então menor de 16 anos), continuando, durante os três anos seguintes, a segui-la, a ameaçá-la, a vigiá-la e a enviar-lhe mensagens por telemóvel, nas quais se intitulava de seu "anjo da guarda".

Ao tribunal, admitiu não ter aceite bem o fim do namoro, que disse ter sido de dois anos e não de dois meses, mas "não lhe queria fazer mal".


Sobre a faca comprada, disse, porém, que "não era para matar ninguém" e que no dia em que saltou o muro da casa da ex-namorada queria apenas "ameaçá-la" para ela "dizer a verdade" sobre o possível novo namorado.

"Não queria fazer mal a ninguém, só queria uma palavra dela", afirmou o arguido, que admitiu ter sido "um disparate" e "um erro" tudo o que fez e que na altura "não estava bem", porque "amava" a ex-namorada "acima de qualquer coisa".

Frisou mesmo em tribunal saber que o seu acto "não devia ser perdoado", mas mesmo assim quis "pedir desculpa perante a família e toda a gente".

A ex-namorada, agora com 19 anos, também prestou declarações e relatou em tribunal que o relacionamento "de dois, três meses" terminou por vontade dela, quando o árbitro (função que ela desconhecia) "começou a invadir" o seu espaço. "Eu não sei como é que ele descobriu onde eu morava", assinalou a jovem que, lembrou ter respondido às mensagens enviadas pelo ex-namorado fazendo-se passar por uma prima para que ele parasse.

Homicídio Maia Obsessão Perseguição
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