Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

JUNTOS PELA VIDA DA MARIANA

A história da pequena Mariana, uma menina de apenas 5 anos, a quem foi diagnosticado um tumor cerebral há sete meses, gerou uma onda de solidariedade com contornos impressionantes, que se estendeu de Norte a Sul do País, provando que os portugueses são realmente um povo solidário.
4 de Julho de 2004 às 00:00
Oriunda da aldeia de Verim, na Póvoa de Lanhoso, e com raízes em Crespos, nos arredores de Braga, a Mariana é filha de pessoas humildes – a mãe é empregada fabril e o pai trabalha na construção civil –, que apesar dos fracos recursos, resolveram dispor do pouco que tinham, numa tentativa desesperada para salvar a vida da filha.
Após três intervenções cirúrgicas e um tratamento de quimioterapia sem resultados, o casal concluiu que a última hipótese de cura poderia estar fora do País, e tomaram a resolução de vender a sua modesta habitação para angariar dinheiro para o tratamento. Porém, como o comprador tardava em aparecer, viram-se obrigados a apelar a todas as ajudas possíveis.
Portugal respondeu ao apelo com um autêntico cordão humano que abraçou a Mariana com uma ternura imensa, e desde a primeira notícia divulgada pelo CM, na passada terça-feira, têm chovido, de todas as regiões do País telefonemas oferecendo apoio financeiro para ajudar a suportar as despesas com as viagens e os tratamentos da menina.
Têm sido também imensas as chamadas para os pais da criança, prestando apoio emocional e contribuindo com a informação possível acerca de métodos e locais de tratamento.
AJUDAR OUTRAS CRIANÇAS
Ontem, a mãe da Mariana, Maria de Lurdes Fernandes, revelou ao CM que resolveu fazer uma derradeira tentativa para tratar a Mariana em Portugal, e arriscar os tratamentos de radioterapia no Instituto Português de Oncologia (IPO), no Porto.
“Continuo a ter muito medo de arriscar, pois temo que a menina não consiga aguentar o tratamento, que dizem que é muito violento. Mas, segundo o que me explicaram os médicos, se a Mariana não fizer os tratamentos de radioterapia aqui, terá de fazê-los no estrangeiro. Por isso, antes de sujeitar a menina à viagem, resolvi tentar cá”, explicou.
Maria de Lurdes Fernandes afirma porém que “não vai facilitar” e que no primeiro momento em que a Mariana dê sinais de não estar a reagir bem aos tratamentos, pega no montante angariado até ao momento, e que ronda já os 5 mil euros, e parte imediatamente para fora do País, possivelmente para Pamplona (Espanha), onde os resultados neste domínio têm sido muito positivos.
Porém, se, como se espera, tudo correr pelo melhor e o dinheiro angariado na conta de solidariedade não se esgotar com os tratamentos da menina, os pais já decidiram contribuir para ajudar outras crianças com o mesmo problema.
“Se no fim dos tratamentos, ainda restar dinheiro, vamos doá-lo a uma instituição de luta contra o cancro. Há muitos meninos a sofrer com problemas como o da Mariana, que precisam de ajuda.
DADOS FUNDAMENTAIS
CASA À VENDA
Os pais da Mariana decidiram vender a casa, em Verim, Póvoa de Lanhoso, para arrancar dinheiro para os tratamentos da filha, mas até agora ainda não encontraram comprador para a modesta habitação, cujo valor ronda os 50 mil euros. Foi este gesto desesperado que chamou a atenção dos portugueses para a gravidade do caso, gerando uma campanha de solidariedade espontânea e uma verdadeira corrente humana.
OPERAÇÕES SEM ÊXITO
Desde que foi detectado o tumor cerebral, em Janeiro deste ano, a Mariana foi sujeita a três intervenções cirúrgicas sem resultados. A menina sujeitou-se depois a tratamentos de quimioterapia, que também não surtiram os efeitos desejados. Agora, após muitas hesitações, devido à vulnerabilidade do estado de saúde da criança, os pais decidiram efectuar os tratamentos de radioterapia em Portugal.
SINTOMAS DA DOENÇA
Mariana brinca e sorri como qualquer criança da sua idade. Adora fazer jogos e brincar com o irmão mais novo, que tem apenas seis meses de idade. Porém, os sintomas da doença são demasiado graves e acabam por reflectir-se nas mais pequenas tarefas e brincadeiras. Além de se queixar de fortes dores de cabeça, a menina cansa-se facilmente, não podendo fazer grandes esforços físicos, tem dificuldades de equilíbrio e de visão.
CURA NO ESTRANGEIRO
A Mariana teve toda a assistência médica necessária em Portugal, tendo o Estado cumprido as suas obrigações. O problema é que os resultados não surgiram e a família resolveu procurar outras soluções, nomeadamente o tratamento fora do País. Esta semana surgiu a possibilidade de levar a menina a Pamplona, Espanha, onde têm havido casos de sucesso nesta área, mas os pais vão tentar primeiro a radioterapia em Portugal.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)