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Correio da Manhã

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Jurados analisaram confissão de Renato Seabra à polícia

Os jurados do caso Carlos Castro analisaram esta sexta-feira, segundo dia das suas deliberações, a confissão do homicídio do colunista por Renato Seabra e elementos sobre o estado mental do réu quando falou à polícia.
30 de Novembro de 2012 às 18:55
Os elementos do júri estiveram esta sexta-feira a analisar a confissão feita por Renato Seabra à polícia
Os elementos do júri estiveram esta sexta-feira a analisar a confissão feita por Renato Seabra à polícia FOTO: Direitos Reservados

Durante a manhã, os jurados saíram da sala contígua à de audiências por duas vezes, a última das quais para ouvirem de novo, a seu pedido, a confissão que Seabra fez à polícia a 8 de Janeiro de 2011, dia a seguir ao violento homicídio do Hotel Intercontinental, em Nova Iorque.

Lida em voz alta, perante o juiz, defesa e acusação, a confissão voluntária refere que réu e vítima mantinham uma "relação íntima" desde 15 de Outubro, cerca de dois meses antes de iniciarem um período de férias em Nova Iorque. Seabra disse durante a estada ter "lutado com a homossexualidade e demónios" que começaram a causar problemas na relação, até então livre de problemas.

Disse ainda do crime que "não podia controlar o vírus de espalhar homossexualidade pelo mundo" e que mutilou os órgãos genitais da vítima porque estes "eram o demónio" e para "fazer o mundo um sítio melhor".

O corpo de jurados está encarregado de decidir se Renato Seabra é culpado de homicídio em segundo grau, ou se, como sustenta a defesa, os seus problemas mentais o impediram de ter consciência do crime. Os seis homens e seis mulheres, de idades e origens sociais muito diferentes, terão de chegar a uma decisão unânime e o veredicto será depois comunicado ao juiz, a quem caberá ditar a sentença, se Seabra for considerado culpado.

A defesa apresentou Seabra como um "doente", baseando-se em diagnósticos psiquiátricos depois do crime, dizendo que sofria de doença bipolar. Caso resulte em ilibação de Seabra, este será um dos primeiros casos em que a chamada "defesa por loucura" tem sucesso e o próprio advogado de defesa assume que as hipóteses são remotas.

Os jurados iniciaram as suas deliberações na quinta-feira, durante pouco mais de uma hora, e retomaram esta sexta-feira por mais três horas.

Na primeira hora de deliberações no tribunal de Nova Iorque, depois de quase sete horas de alegações finais de defesa e acusação, os 12 jurados pediram ao juiz acesso a fotos da cena do crime, provas de ADN e registos de conversas de Faceboook.

Esta sexta-feira pediram também ao juiz para que fosse relida uma transcrição das audiências em que foi falado do estado mental de Seabra antes de fazer a confissão à Polícia, já num hospital psiquiátrico de Nova Iorque. Elaborada por um detective, esta refere que o pessoal hospitalar informou a polícia que Seabra não estava medicado e sedado e podia responder às perguntas "num quadro mental desobstruído".

Seabra continua a não querer comparecer na sala de audiências, mas, aguardando numa cela no tribunal, tem sido informado do andamento dos procedimentos pelos seus advogados. Se for ilibado, diz o advogado de defesa, "provavelmente será institucionalizado para o resto da vida".

A acusação sustenta que foi a "raiva e vergonha" com o final da relação homossexual com Castro, iniciada assumidamente a troco de favores materiais, a levar ao crime. A procuradora Maxine Rosenthal defendeu que o diagnóstico de desordem bipolar, após o crime ao réu, não significa que não teve consciência dos actos.

Alertou ainda os jurados para o facto de que, com uma ilibação por doença ou incapacidade mental, "não há garantia de que seja retido" num hospital psiquiátrico.

HOIMICÍDIO CARLOS CASTRO RENATO SEABRA JULGAMENTO
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