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Correio da Manhã

Portugal
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Justiça investiga combate a fogo no centro histórico de Guimarães

Bombeiro aponta falhas graves. Ministério Público averigua.
Liliana Rodrigues 28 de Janeiro de 2020 às 01:30
André Fernandes apresentou denúncia ao Ministério Público devido ao combate a um incêndio no ano de 2017
André Fernandes apresentou denúncia ao Ministério Público devido ao combate a um incêndio no ano de 2017 FOTO: Nuno Fernandes Veiga/CMTV

O Ministério Público de Guimarães está a investigar uma denúncia de alegadas irregularidades no combate a um incêndio no Centro Histórico de Guimarães, em novembro de 2017. "Não posso permitir que o que me aconteceu volte a acontecer. Foram erros graves", afirma André Fernandes, voluntário nos Bombeiros de Guimarães desde os 14 anos, mas que no dia 1 de janeiro passou à reserva.

"Saímos três elementos para um fogo estrutural, numa casa, com suspeitas de vítimas no interior, quando as normas dizem que teríamos de ser, pelo menos, cinco elementos", afirma o queixoso, que avançou para o tribunal. "Fiquei no sótão, sozinho, de frente para o fogo e a minha máscara avariou. Não recebia oxigénio e tive de a tirar. Sofri um golpe de calor e deixei de ver. Nem sei como consegui ter forças para me arrastar seguindo a linha de mangueira até um buraco onde me deixei cair para o piso inferior", recorda o bombeiro, que sofreu queimaduras graves nas vias respiratórias que o obrigaram a ficar cinco dias em coma induzido no hospital.

"Podia ter morrido, mas nada mudou e eu não posso compactuar com isso. As responsabilidades têm de ser apuradas. O meu pai é bombeiro e não posso deixar que lhe aconteça a ele, ou a outro colega, o que me aconteceu a mim" sublinha André Fernandes.

O Correio da Manhã tentou obter uma reação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, mas sem sucesso até ao fecho da edição de terça-feira.

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