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Correio da Manhã

Portugal
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Justiça procura médico

Dois crimes à margem do tráfico de droga caíram ao longo de meses nas escutas telefónicas a Pedro França Alemão e a Rui Ramos, o taxista que transportava cocaína às ordens do ex-namorado de Catarina Fortunato de Almeida. E o Ministério Público vai abrir inquéritos para investigar os dois, apurou o CM.
10 de Fevereiro de 2009 às 21:00
Justiça procura médico
Justiça procura médico FOTO: D.R.

Um ao taxista por eventual crime sexual, depois das conversas de cariz sexual com a sobrinha menor às 04h00 e 05h00, além de ter fotografias da rapariga nua no telemóvel; outro para saber quem é o médico do Hospital Amadora-Sintra a passar atestados médicos falsos para amigos de Alemão.

Enquanto o primeiro será remetido para investigação na secção de combate aos crimes sexuais, liderada pelo procurador João Guerra, o segundo envolve um processo já em julgamento: a PSP interceptou uma chamada entre Alemão e Pedro Gameiro, que está na cadeia, com o primeiro a prometer ao segundo um atestado médico que o iliba das acusações por agressões violentas, no âmbito do processo ‘Máfia da Noite’ em que ambos continuam a ser julgados.

Agora que Pedro França Alemão também está em preventiva, preso no último fim-de-semana por tráfico, será apurado quem é afinal o médico que atestou a falsa doença a Pedro Gameiro – afirmando que este estava engessado numa determinada altura, logo não podia ter sido ele a agredir violentamente uma vítima, como diz a Acusação. Este atestado já constará do processo ‘Máfia da Noite’ e será apurada a identidade do médico – que, conforme se ouve numa escuta entre Alemão e Gameiro, trabalhará no Hospital Amadora-Sintra.

Entretanto, o julgamento prosseguiu ontem, com Gameiro a ilibar o também réu Alfredo Morais. Disse ser seu o negócio da segurança nos bares de alterne. 'Não recebi instruções do Alfredo', garantiu, dizendo ter conhecido o ex-PSP nas artes marciais. 'Quando fiquei desempregado fui ter com ele e arranjou-me emprego numa loja de sanduíches em Cascais.'

PORMENORES

SEGURANÇA NO GALLERY

Pedro Gameiro confirmou ontem no Tribunal da Boa-Hora que ele e Paulo César (também arguido) foram seguranças no Gallery, onde ganhavam 650 euros por mês, cada. Pedro referiu também que arranjou seguranças para vários bares e casas de alterne de Lisboa, estabelecimentos que lhe pagavam todos os meses 300 euros de comissão.

NEGOU LENOCÍNIO

'Eu tirava-as era da prostituição', afirmou Gameiro, confrontado com acusações de lenocínio (exploração de prostitutas). Adiantou ter tido várias relações amorosas com mulheres, muitas delas prostitutas no Elefante Branco e no Gallery que deixaram a profissão por exigência dele.

AGREDIU POLÍCIA

Acusado de ter agredido um agente do Corpo de Intervenção da PSP (J. M.) no Elefante Branco, Gameiro disse desconhecer que o homem era polícia e disse tê-lo agredido depois de ter sido socado

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