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Correio da Manhã

Portugal
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Justiça reabre processo das mortes de Lagos

O processo relativo às duas mortes por acidente anestésico no Hospital de Lagos, que tinha sido arquivado em Outubro do ano passado, foi reaberto, segundo apurou o CM. No entanto, advogados e familiares das duas vítimas não receberam qualquer notificação.
29 de Março de 2006 às 00:00
Passam hoje, precisamente, dois anos sobre a morte de Albertina Estêvão, vítima de um acidente anestésico na preparação para cirurgia a uma fístula. Tinha 44 anos. No dia seguinte, Rui Gonçalves, 35 anos, foi também vítima de um acidente anestésico, quando ia ser operado a um quisto. Morreu dia 2 de Abril de 2004.
Os casos ocorreram no mesmo Hospital e com a mesma anestesista, Maria de Jesus Lima. O inquérito realizado pelos serviços do Ministério Público de Portimão foi arquivado em Outubro de 2005. As famílias contrataram advogados e requereram abertura de instrução. Os dois causídicos, contactados ontem pelo CM, garantiram não ter recebido qualquer resposta ao requerimento.
Fernando Anastácio, advogado da família Estêvão, disse ter apresentado também um requerimento de aceleração processual, no dia 13, por já ter expirado o prazo de quatro meses para a conclusão da instrução pedida após o despacho de arquivamento.
FAMÍLIAS INCONFORMADAS
Os familiares, que também nada receberam, não se conformam. Mas Manuel Gonçalves, pai de Rui, não acredita que alguma vez seja feita justiça. “Não acredito que este País possa ser sério. Só funciona com dinheiro e com aparência.” Fátima Sampaio, irmã gémea de Albertina, diz que a “dor e a revolta são cada vez maiores”, porque lhe mataram a irmã e ficou tudo na mesma. “Enquanto não houver julgamento, não conseguimos ter paz. Os funerais foram feitos, mas o assunto ainda está para ser enterrado.”
PORMENORES
ÚNICA MÉDICA
António Marinho, advogado dos pais de Rui Gonçalves, diz que a anestesista fez o exame de especialidade em Fevereiro de 2003. Culpabiliza mais o director do Hospital de Lagos por tê-la mantido como única anestesista desde Janeiro de 2004.
CAUSAS
Os dois doentes morreram por não ter sido possível manter a permeabilidade das vias ou ventilação adequada na anestesia. O Ministério Público de Portimão considerou não haver indícios suficientes para imputar à médica responsabilidade criminal.
MISSAS
Realiza-se hoje na Igreja Matriz de Albufeira, às 18h00, a missa em memória de Albertina Estêvão, que era auxiliar educativa naquela cidade algarvia. No próximo domingo, na mesma igreja, às 10h00, realiza-se a missa em memória de Rui Gonçalves.
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