Laboratório científico da PJ procura vestígios de sangue em objectos apreendidos no castelo. Judiciária quer desvendar como Tânia, Ivo e Joana foram mortos por Francisco Leitão.
Francisco Leitão continua em silêncio tal como há duas semanas quando foi detido pelos inspectores da Polícia Judiciária. Não confessa a autoria dos crimes de homicídio e ocultação dos cadáveres das vítimas Tânia Ramos, Ivo Delgado e Joana Correia, e os investigadores apostam agora na conclusão das análises laboratorias aos objectos apreendidos da casa-castelo da Carqueja, na Lourinhã, nomeadamente lanças e espadas. À primeira vista não foram encontrados vestígios de sangue, mas tendo em conta a premeditação cuidada dos crimes, só os especialistas do Laboratório da Polícia Científica da PJ poderão dar essa certeza.
A apreensão e a análise desses objectos mostram-se fundamentais, uma vez que se foram utilizados nos homicídios, podem conter vestígios de ADN e, assim, finalmente, desvendar a forma como os três jovens foram mortos pelo ‘rei dos gnomos’. Até agora foram levantadas várias hipóteses, mas sempre na base da especulação, tais como estrangulamento, em virtude da falta de marcas de sangue quer no castelo, quer em outros locais alvo de buscas, como zonas de pinhal em Peniche e ainda um armazém nas Cezaredas, localidade próxima da casa Francisco Leitão.
Depois de realizadas as análises, o outro passo a fazer será a comparação com o perfil de ADN, neste caso dado pelos pais. Caso seja necessário, serão também utilizados objectos pessoais das vítimas – como escovas de cabelo – para resultados mais exactos. No caso de Joana Correia, o processo poderá ser mais rápido, uma vez que é mais próximo no tempo, Março deste ano. Os outros já foram em 2008. O tempo passa a aliado e a falta de co-operação do suspeito faz disparar o campo de hipóteses. Todos admitem um cenário de extrema violência, mas sem precisar os contornos exactos dos homicídios.
ARMAZÉM ALVO DE BUSCAS DA PJ
Francisco Leitão, de 41 anos, alugou há alguns meses um armazém em Cezaredas, localidade próxima da Carqueja, onde vivia com a irmã e o cunhado. Guardava lá vários carros e sucata que tinha transportado de casa, uma vez que já tinha gerido uma sucateira que deixou, no entanto, ir à falência. A Polícia Judiciária passou a pente--fino o local para encontrar vestígios, no entanto, sem sucesso.
ADN DE JOANA MAIS FÁCIL DE OBTER
A recolha do ADN de Joana Correia, de 16 anos, para comparação com eventuais vestígios de sangue que venham a ser encontrados pela Polícia Judiciária , revelou-se mais simples do que em relação às outras duas vítimas, desaparecidas desde o Verão de 2008. Uma vez que a jovem de 16 anos desapareceu já este ano, tendo a PJ sido logo informada sobre o caso, os investigadores tiveram rápido e fácil acesso aos seus objectos pessoais, nomeadamente a uma escova ainda com cabelos da vítima, cedidos pelos pais de Joana.
No casos de Tânia Ramos e Ivo Delgado já é mais complicado, uma vez que os crimes foram cometidos em 2008 e no caso de Ivo nem foi participado às autoridades.
'ESTA ESPERA É DOLOROSA'
A cada dia que passa, os familiares das três vítimas mortais – Tânia Ramos, Ivo Delgado, assassinados já em 2008, e Joana Correia, já em Março deste ano – esperam por notícias sobre a localização dos corpos. Albérico Vaz, padrasto de Tânia, diz que está a ser um momento muito complicado para toda a família. 'É desesperante estar todos os dias à espera de notícias sobre os cadáveres. A minha mulher está muito perturbada com toda a situação. Já não sabemos o que havemos de fazer mais, sinceramente. Resta-nos confiar e aguardar pelas autoridades', disse emocionado Albérico.
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